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    PARA ROMA COM AMOR

    Woody Allen volta às telas numa comédia descontraída e absurda sobre a complexa natureza humana
    Por Roberto Guerra
    28/06/2012

    Ser bom tem seu preço e cineastas consagrados sabem bem disso. A cada novo filme a cobrança é grande e costuma-se esperar algo melhor ou, no mínimo, tão bom quanto o longa anterior. Para Roma com Amor não é uma grande obra como Meia-Noite em Paris, mas não deixa de ser uma agradável, divertida e inteligente comédia por causa disso.

    O que gosto em Allen é sua capacidade aguçada de observação da natureza humana, presente em cada um de seus filmes. Ele, como poucos, sabe tomar essas observações e apresentá-las na tela através de um filtro de sátira e humor difícil de igualar. Para Roma com Amor é um belo casamento entre as observações de Allen e sua habilidade para fazer comédia.

    A história do longa é sobre turistas entre cidadãos romanos e sobre a cidade. Mas o espectador não é levado tão somente a fazer um tour por Roma, mas uma excursão divertida pela natureza humana. Allen zomba da sociedade brincando brilhantemente com temas tabus e explorando suas próprias fobias. Cada uma das histórias percorre um aspecto diferente do jeito de ser e agir das pessoas, a partir de coisas tolas como cantar no chuveiro ou o absurdo de virar uma celebridade do noite para o dia, especialmente nos dia de hoje.

    Como Meia-noite em Paris, Para Roma com Amor flerta com um mundo imaginado. Desta vez, no entanto, o imaginário e a realidade não são mantidos em campos díspares. Em vez disso eles estão entrelaçados de maneira perspicaz. Alec Baldwin, por exemplo, interpreta John, personagem que tanto existe no mundo real quanto no imaginário. Ele é um arquiteto americano em férias na Itália e também o conselheiro do jovem Jack (Jesse Eisenberg), uma espécie de consciência do rapaz encantado pela amiga da namorada. Woody Allen aqui acrescenta um toque diferenciado e sofisticado à sua tradicional narrativa.

    É bom ver o diretor flertando com o absurdo mais uma vez com a hilária trama de um cantor de banheiro (literalmente) alçado à fama. A volta do cineasta como protagonista também é mais que bem-vinda. Sua presença na tela é responsável por boa parte dos momentos divertidos do filme – é ele quem descobre o talento do barítono dos chuveiros. Outra subtrama que por si só já vale a entrada é a do italiano classe-média vivido por Roberto Benigni, um homem que se torna famoso simplesmente porque a mídia assim decide.

    Para Roma com Amor não faz parte do rol dos grandes filmes de Allen, ainda assim é melhor que a maioria de suas obras recentes, com exceção de Meia-noite em Paris. E, afinal, o que faz de alguém brilhante é não ser brilhante em tempo integral. Vá ao cinema sem grandes expectativas e divirta-se.