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    PARA SEMPRE

    São pequenas surpresas, ou momentos, como gosta de dizer o protagonista de<em> Para Sempre</em>, que fazem o resultado final do filme ser melhor que a soma das partes.<br /><br />
    Por Rogério de Moraes
    06/06/2012

    Drama romântico inspirado em uma história real, Para Sempre começa carregando nas tintas. Além do exagero numa cena de acidente de carro, todo início do filme é contaminado por um romantismo tão excessivo que chega a enjoar. Não precisava tanto para fazer o público entender que Leo (Channing Tatum, de Anjos da Lei) e Paige (Rachel McAdams, de Meia Noite em Paris) formam um casal muito apaixonado. Pelo menos até o acidente que muda suas vidas.

    Leo é um jovem empreendedor, dono de um pequeno estúdio de gravação. Apesar do ramo não ter muito futuro, já que qualquer um pode fazer uma boa gravação com um computador, ele acredita na sua paixão pela música. Já Paige largou a faculdade de Direito para estudar arte e tem se saído bem como uma escultora de talento promissor.

    No entanto, tudo muda quando eles sofrem um acidente de carro. Leo sai com poucos ferimentos, Paige, contudo, bate a cabeça e fica alguns dias em coma. Quando ela recobra a consciência, não reconhece o marido, nem se lembra de nada dos últimos cinco anos de sua vida. É quando surgem seus pais, com quem ela não falava há anos, desde que abandonou a faculdade e foi viver de sua arte. O porquê dela ter rompido com a família, com o antigo noivo e com um estilo de vida totalmente diferente estão perdidos nos anos que sua memória insiste em não lembrar.

    Mais do que não lembrar, ela está diferente. Gostos, valores e atitudes são de uma Paige antiga, que Leo não conheceu e não reconhece em sua esposa. E nem ela a ele.

    É a partir desse conflito que o filme cresce, diminuindo sua voltagem romântica e abordando o drama de Leo, que tenta restabelecer sua vida ao lado da esposa. Mas, por mais que ela se esforce, ele continua sendo um estranho, assim como a vida que eles viviam e os amigos que tinham. Um problema que se agrava com a interferência da família dela, que sempre desaprovou a vida que decidiu levar e vê agora a oportunidade de recuperar a filha que tinham perdido.

    Na composição desse drama, Para Sempre não escapa de alguns clichês, mas acerta em evitar muitos outros. Em alguns momentos, parece levar a trama para um caminho previsível, porém desvia-se a tempo de não cair no óbvio. Na comoção do marido apaixonado que tenta reconquistar a esposa, a cara de cãozinho pidão de Channing Tatum ajuda bastante, conseguindo até alguns lampejos de boa atuação.

    Mesmo sendo um tanto irregular, o filme funciona bem como história romântica. Vai até um pouco além e traz uma subtrama de reconciliação, atenuando maniqueísmos e diminuindo os tons estereotipados de alguns personagens. Nesta subtrama, a participação da atriz veterana Jessica Lange como mãe de Paige presenteia o espectador com um momento de intensidade e ótima interpretação. São pequenas surpresas, ou momentos, como gosta de dizer o protagonista Leo, que fazem o resultado final ser melhor que a soma das partes.