cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • GAMES
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    PARA SEMPRE ALICE

    Julianne Moore brilha em adaptação, mas tom açucarado irrita
    Por Gustavo Assumpção
    13/02/2015

    Há alguns trabalhos indicados ao Oscar de melhor atriz neste ano que são realmente impressionantes. A melancolia de Marion Cotillard em Dois Dias, Uma Noite, a força de Rosamund Pike em Garota Exemplar. Mas, é impossível não se encantar com Julianne Moore em Para Sempre Alice, filme que é carregado pela atuação impressionante de uma atriz em grande forma.

    Adaptado de romance do mesmo nome, Para Sempre Alice acompanha uma professora universitária de meia idade que descobre um tipo raro de Mal de Alzheimer. Ironias à parte, ela, especialista em linguística, se vê perdendo tudo aquilo que conquistou ao longo da vida: a admiração dos que vivem em seu entorno, a capacidade de se comunicar, a memória sobre quem ama.

    Há um tom exageradamente dramático na adaptação, que não esconde que faz uso de uma fórmula pronta. O roteiro escrito pela dupla que também assina a direção - os novatos Wash Westmoreland e Richard Glatzer - não tenta fugir dos clichês que estamos tão acostumados a ver em retratos de personagens rumo a um destino trágico. Para Sempre Alice é como uma versão light e romântica de Amor, filme de Michael Haneke que venceu a estatueta de filme estrangeiro em 2012.

    Mas há sensibilidade na atuação de Julianne Moore, que impede o filme de se tornar um mero retrato deprimente de uma personagem definhando diante de nossos olhos. Sempre contida e segura do tom de sua interpretação, ela nos conecta a esta personagem cheia de nuances, mesmo quando a adocicada trilha sonora insiste em tentar nos levar às lágrimas.

    Por trás de tanto açúcar, Para Sempre Alice tem alma. De certa forma, o filme consegue estabelecer uma relação direta com o espectador, sempre alfinetado pelo comportamento dos personagens coadjuvantes. Alice possui filhos, marido, uma família. Mas, tão complexos e presos em suas individualidades, eles lidam de maneiras diferentes com a doença da personagem. O comportamento oposto entre Anna (Kate Bosworth) e Lydia (Kristen Stewart) humaniza esta trajetória, assim como a possível insesibilidade de seu companheiro, vivido pelo veterano Alec Baldwin.

    É difícil não tentar se colocar diante de Alice e sua impotência perante a vida. Perdendo as memórias e as lembranças responsáveis por sua conexão com o mundo em que vive, a personagem parece perder a si mesma. O título do filme dá a entender que ela será para sempre a mulher admirável que vemos nos primeiros minutos de Para Sempre Alice. Viva na memória das pessoas que ama, talvez ainda seja possível. Isso, obviamente, se você beber uma boa dose de otimismo.