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    PARAÍSOS ARTIFICIAIS

    Apesar do bom tratamento técnico e atuações, fica difícil não notar certa superficialidade na abordagem<br />
    Por Roberto Guerra
    03/05/2012

    O diretor Marcos Prado, do premiado documentário Estamira, estreia na ficção com um longa de temática jovem que se propõe a fazer um retrato da geração que busca prazer, felicidade e reflexão sobre seu papel no mundo por meio das drogas sintéticas, música eletrônica e relacionamentos livres. Para abordar esse universo, o trabalho investe em muitas cenas de sexo, nudez e mostra, sem panos quentes, o consumo das drogas pela juventude frequentadora das famigeradas raves.

    Entre acertos e deslizes, Paraísos Artificiais tem o mérito de escapar de uma visão moralista ao mesmo tempo em que não faz apologia ao consumo de drogas. O filme não faz nenhum julgamento de seus personagens e deixa o público tirar suas próprias conclusões, limitando-se a acompanhar as consequências das escolhas de cada um dos personagens em suas vidas.

    De narrativa não-linear, o filme vai aos poucos apresentando a história de de Nando (Luca Bianchi), Érika (Nathalia Dill), Lara (Lívia de Bueno) e Patrick (Bernardo Melo Barreto). Eles fazem parte de uma tribo avessa ao mundo atual pautado pela busca de sucesso material. Tentando uma válvula de escape a essa realidade, mergulham em universo próprio de busca pelo prazer sensorial por meio das drogas, que o filme consegue materializar em imagens no caprichado trabalho de fotografia de Lula Carvalho - o talentoso filho de Walter Carvalho -, aliado à eficiente montagem e edição de som do longa.

    Apesar desse bom tratamento técnico e das atuações convincentes do jovem elenco, fica difícil não notar certa superficialidade na abordagem da vida desses personagens e seus dramas pessoais. Conflitos, tensões e pontos de vistas carecem de um embasamento que deveria surgir de um roteiro que se preocupasse também com o ontem de seus personagens e não só com o hoje. Há também, meio perdido na trama, um velho transgressor que nada mais é que um estereótipo dos hippies dos anos 60, sempre com um discurso pronto que parece incorporar a ideia do diretor sobre tudo aquilo.

    Tecnicamente, Paraísos Artificiais é impecável. Filmado em várias locações, entre Amsterdã, Rio de Janeiro e Pernambuco , tem um pano de fundo belíssimo servindo de cenário para as experiências delirantes dos personagens. Mas, apesar de bem filmado e da plástica atraente, paira e não mergulha de fato na relação da juventude com as drogas, sexo e o mundo atual.

    As deficiências de Paraísos Artificiais se evidenciam ainda mais em seu quarto final, que deixa muita coisa no ar ao passo que tenta amarrar diversas pontas de forma pressurosa. Procura explicar tudo, contradizendo a proposta inicial que parecia deixar nas mãos do espectador a tarefa de tirar suas próprias conclusões. Um filme que quase chega à praia, mas se afoga na marola.