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    CONEXÃO PERIGOSA

    Trama carece de clima de suspense e tensão reais
    Por Roberto Guerra
    18/10/2013

    Na saída da sessão de imprensa de Conexão Perigosa um colega de trabalho fez o seguinte comentário: "Esse filme, para ser mais bobo, só precisava de uma cena de casamento no final". Discordo. Um romântico "pode beijar a noiva" encerrando a série de desacertos da trama talvez amenizasse o desconforto de ter visto um filme pontuado de falta de lógica, excesso de improbabilidades e carência de emoção.

    O personagem central chama-se Adam Cassidy (Liam Hemsworth), jovem ambicioso que trabalha numa grande empresa de telefonia celular. Ele é filho de uma típica família classe média; seu pai (Richard Dreyfuss) - que trabalhou a vida toda como segurança – está morrendo de enfisema e não tem dinheiro para custear o tratamento médico. Os roteiristas Barry Levy e Jason Dean Hall justificam nesse preâmbulo as atitudes que o protagonista vai tomar a seguir.

    Atrás do sonho de ser bem-sucedido, Adam faz a apresentação de um projeto para o todo-poderoso e arrogante Nicolas Wyatt (Gary Oldman), CEO e dono da empresa. Wyatt acha a ideia uma bobagem e, além de ignorá-la, põe Adam e seus companheiros de empreitada no olho da rua. Isso já não faz muito sentido, mas o que vem a seguir faz menos ainda. Chateado e de posse de um cartão corporativo da empresa, Adam resolve levar os colegas de trabalho para farrear numa boate de luxo.

    Ainda de ressaca, é abordado no dia seguinte por uns capangas que o levam à presença do ex-chefe. Este, apesar de ser presidente de uma grande corporação e, em tese, ter mais o que fazer, já sabe que o subalterno de último escalão gastou US$ 16 mil dólares numa balada. Se isso já seria suficientemente pouco provável, menos ainda é a decisão de contratar o garoto como espião industrial para tentar descobrir os segredos do revolucionário celular prestes a ser lançado por Jock Goddard (Harisson Ford), seu principal concorrente.

    O velho adágio que diz: "o que começa mal vai acabar mal" vai tomando força daí em diante. Adam começa a usufruir de tudo que sempre sonhou: dinheiro, carrões, sucesso e mulheres, apesar de se mostrar um exímio incompetente como espião. Sua missão é se aproximar de Goddard, o que consegue com suspeitíssima rapidez, e conseguir roubar o projeto do tal supercelular. Se tiver êxito tem a promessa de não ser processado pelo roubo dos US$ 16 mil e ainda conseguir recuperar os empregos dos colegas demitidos.

    O que segue é previsível e nunca soa verdadeiramente perigoso como anuncia o título do filme. Falta suspense, tensão e emoção reais ao longa de Robert Luketic (de Legalmente Loira). Um casamento ao final talvez viesse a calhar. Ao menos teríamos algum sentimento válido no filme.