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    PARIS-MANHATTAN

    Longa tenta homenagear obras de Woody Allen, mas acaba por copiar estilo do diretor<br />
    Por Cristina Tavelin
    01/01/2013

    Deixar um traço marcante em cada filme realizado, levando o espectador a identificar quem o fez, talvez seja o maior desafio de um diretor. Precisa-se de alguns anos e muitas referências para constituir um estilo próprio.

    Se a intenção da estreante Sophie Lellouche foi seguir o caminho autoral, ela optou pelo início mais complicado. Em seu longa de estreia, Paris-Manhattan, quis homenagear Woody Allen, mas acabou imitando muitas das características de roteiro e filmagem do consagrado diretor americano.

    A trama gira em torno de Alice (Alice Taglioni), farmacêutica viciada nos filmes de Allen – tão fanática que conversa com um pôster dele na parede do quarto. Os diálogos foram extraídos de Manhattan, assim como a personalidade do pai da protagonista, hipocondríaco inveterado.

    Logo na primeira cena, objetos e obsessões marcantes na filmografia do diretor são exibidos – discos de jazz, livros de filosofia, um armário de remédios... A família judia e desajustada, outra marca dos filmes do cineasta americano, começa a mostrar seu falso moralismo aos poucos. Quando conhece Victor (Patrick Bruel), um instalador de alarmes, a personagem passa a expor esses problemas a ele e, consequentemente, ao espectador.

    Os dois desenvolvem diálogos interessantes, mas é impossível não considerá-los superficiais em comparação àqueles criados por Allen. Apesar de os atores manterem bom nível de interpretação, falta personalidade aos personagens. Quando tentam incorporar o estilo dos protagonistas clássicos do diretor, o resultado não é bom porque falta substância.

    Os detalhes mais legais da trama estão nos momentos de homenagem: nas referências espalhadas pelas ruas de Paris, como um cartaz de Match Point ao fundo em uma das cenas; quando Victor assiste a Tudo o que Você Sempre Quis Saber sobre Sexo por recomendação da farmacêutica, entre outros detalhes. Quando herda a farmácia de seu pai, a protagonista “trata” os clientes recomendando DVDs do cineasta, o que deixa a história interessante e divertida. E quando tenta resolver um assalto da mesma forma, tem-se uma das passagens mais engraçadas do filme.

    Aos poucos, o longa ganha um certo tom moralista que tenta evitar no começo, tendo seu ápice na reconciliação de Alice com a irmã Hélène (Marine Delterme) em uma cena pouco inspirada. A aparição do próprio Allen é surpreendente para o momento da narrativa, mas não para o filme em si. E Victor observando o diretor com ar de contemplação culmina em um sentimento “vergonha alheia”.

    Paris-Manhattan tira algumas risadas de canto de boca, mas talvez seu maior mérito seja mesmo o de incitar novos espectadores a conhecer a obra de Woody Allen. O desafio agora ficará com a diretora Sophie Lellouche: criar identidade e estilo próprios para seus filmes, transcendendo seu ídolo e não apenas reproduzindo o que ele já inventou.