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    PÁSSARO BRANCO DA NEVASCA

    Tragédia suburbana ganha pegada pop em adaptação
    Por Gustavo Assumpção
    23/04/2015

    As cores exageradas e o forte apelo sexual dos filmes de Gregg Araki tornaram o diretor um dos queridinhos dos cinéfilos mais descolados. Após abordar toda a inquietação e frivolidade da adolescência em Kaboom, agora ele retorna ao universo dos teens rebeldes e cheios de crises existênciais no novo Pássaro Branco Da Nevasca.

    Baseado em livro de mesmo nome, a trama é centrada na adolescente Kat (Shailene Woodley), menina que precisa lidar com um trauma: em meio as mudanças de comportamento dos anos 80, sua mãe Eve (personagem inspirada em Bette Davis e interpretada por Eva Green) some misteriosamente deixando apenas questões não explicadas. Desde então, a menina começa a ter estranhos sonhos em que aparece em meio a um cenário coberto de neve - referência que só é entendida no final do filme. A narrativa foge da estrutura linear e acompanha as descobertas da jovem a cerca de seu corpo e personalidade, ao mesmo passo que desvenda segredos sobre o paradeiro da personagem desaparecida.

    A família de Kat é o verdadeiro retrato da américa suburbana. Eve casou-se por convenções sociais e se tornou uma dona de casa infeliz, tendo que conviver com o passivo marido Brock (Christopher Meloni). Nas palavras da própria jovem, nunca viu a mãe olhar o pai com outro olhar que não o de desprezo.

    O desenrolar da história nos mostra que muita coisa está nas entrelinhas e tudo pode não ser aquilo que aparenta. O pai, apresentado como um cara omisso e desanimado, a filha liberta sexualmente, a mãe aparentemente deprimida. Cada personagem apresenta mistérios não solucionados e parecem jogar com as expectativas do público a todo momento.

    A bela ambientação e o visual forte e cuidadosamente detalhado tornam o longa cativante e agradável aos olhos, mas falta corpo ao roteiro, adaptado sem muita força. Apostando em reviravoltas inexplicáveis, o filme parece carecer de uma certa sutileza. 

    Shailene Woodley se mostra mais madura em sua atuação, conseguindo segurar sequências dramáticas com competência e se mostrando bastante confortável nas cenas em que aparece nua, mas a verdade é que falta audácia para a construção da personalidade desta menina em aparente conflito com a falta da mãe. 

    Há aqui uma história cheia de nuances, simbólica e representativa, mas não há qualquer impacto. Araki, sempre conhecido pela ousadia, preferiu o lugar-comum dessa vez, tornando este novo integrante de sua filmografia um longa insosso e previsível.