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    PASSE LIVRE

    Irmãos Farrelly enchem o filme de cenas desnecessárias. Tudo pelo humor escatológico.<br />
    Por Heitor Augusto
    09/03/2011

    Em certos tipos de comédia, praticamente dá para adivinhar de olhos fechados quem é o diretor. Por exemplo, os diálogos denunciam se é um Woody Allen, a mise-en-scène um Lubitsch, o Carlitos se é um Chaplin ou a seriedade cômica um Buster Keaton.

    No caso dos irmãos Farrelly, o politicamente incorreto é a marca registrada de Peter e Bob. Tem filmes que o resultado cinematográfico vai além da provocação barata (Debi e Loide – Dois Idiotas em Apuros). Em outros, permanece apenas o desejo de cutucar com vara curta, como é o caso de Passe Livre.

    O décimo longa-metragem dirigido pela dupla é cheio de cenas desnecessárias. Vejam bem, esta afirmação não implica um pudor ou recalque no olhar, mas aponta para a quantidade de sequências supérfluas para o desenvolvimento do enredo ou para o entendimento da totalidade do filme. Um close-up num imenso pênis, por exemplo, não influi em nada no desenvolvimento do filme – trata-se apenas de um comentário em paralelo realizado pelos Farrelly, ou para provocar puritanos ou satisfazer os que entendem o humor como sinônimo de escatologia.

    Nem alguém defecando em via pública ou mostrando o avantajado traseiro em uma cena de perseguição é imprescindível. Imagino Peter e Bob numa sala reescrevendo passagens do roteiro e pensando “até onde podemos ir?”. Seus comentários cômicos já tiveram função de chacoalhar um espectador conservador (como em O Amor é Cego), mas no caso de Passe Livre servem apenas para reforçar o tipo de humor mais simples de se realizar.

    Por outro lado, o filme não é um desastre. Digo isso pensando especialmente na cena em que os protagonistas Owen Wilson e Jason Sudeikis falam horrores dos donos da casa onde estão sem saberem que câmeras de segurança os observam. Um inteligente comentário sobre a hipocrisia. Mas essas inserções mais sofisticadas são espécie rara em Passe Livre.

    Como o título ilustra, os bons maridos Rick (Wilson) e Fred (Sudeikis) decidem dar um tempo das suas esposas Maggie (Jenna Fischer) e Grace (Christina Applegate) e aplicar um tal de passe livre. Funciona assim: por uma semana, eles e elas podem fazer o que quiser, transar com quem passar pela cabeça sem risco de julgamentos. Após sete dias, eles voltam para suas vidas normais de casados. Será que eles e elas terão sucesso na empreitada?

    Passe Livre começa muito bem, caracterizando tanto Rick como um pai de família sem muitos neurônios e Fred como o suposto galanteador que pensa ludibriar a esposa de seus flertes. Depois da apresentação dos personagens e da colocação do dilema, o filme vai, vagarosamente, ladeira abaixo, justamente pelo uso exagerado de cenas inúteis para a história.

    Desta vez, os irmãos Farrelly realizaram um entretenimento irregular, muito diferente da precisão crítica e cômica de seu primeiro filme, Debi e Loide. A escatologia está tomando um pedaço precioso da comédia no cinema hollywoodiano.