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    PAU BRASIL

    Filme importa-se com a matéria e pouco com personagens
    Por Roberto Guerra
    22/04/2014

    Este é um filme que necessita de dedicação e paciência do espectador. Em tempos imediatistas, que todo mundo quer respostas instantâneas, fáceis, Pau Brasil é um filme atípico. O primeiro longa-metragem de Fernando Belens estabelece um diálogo franco com o público, mas não entrega seu enredo de mão beijada. O diretor e também roteirista pede dedicação, um esforço, e se o espectador estiver disposto pode até desfrutar de algumas reflexões propostas.

    Pau Brasil, a comunidade fictícia onde o filme é ambientado, é um microcosmo de nossa sociedade. Um lugarejo perdido num rincão qualquer do país onde a visão comumente romântica relacionada ao interior não encontra respaldo. A miséria humana (não só a material), a inveja, o preconceito e a intolerância permeiam as relações de gente pobre, pessoas que geralmente não são protagonistas de filmes sobre tais complexidades existenciais.

    Ponto para Fernando Belens, que conta a história de duas famílias pobres vivendo um conflito aberto e sofrendo com os revezes de suas decisões. Numa delas, um homem (Bertrand Duarte) mora com a mulher (Fernanda Paquelet) e a deixa amar qualquer um que chegue à sua porta, principalmente caminhoneiros. Ela não recebe nenhum dinheiro pelos encontros amorosos, os faz por prazer. E seu marido, um marceneiro local, não se importa. A cobrança vem dos vizinhos, que se mostram indignados com a situação.

    Como Joaquim (Oswaldo Mil), morador da casa em frente. Casado com uma mulher apática e pai de duas filhas adolescentes submetidas a um regime castrador e violento, ele vive a gritar impropérios da varanda de seu casebre sobre a promiscuidade existente na casa vizinha. Mas lá as coisas correm harmoniosas enquanto em seu lar tem de lidar não só com a pobreza material extrema, mas com a rebeldia da filha Dora, que deseja viver sua vida longe da opressão paterna.

    Como estes existem vários outros personagens interessantes, promissores, mas pouco explorados e desenvolvidos. O problema de Pau Brasil é que os temas (e eles são muitos) se sobrepõem aos protagonistas. Fernando Belens quis tratar de vários assuntos pertinentes, que lhe são caros, mas estes estão desde o começo do filme acima de Berico, Níves, Tinário, Dora, Leandra e todos os outros moradores do local.

    Eles não são vetores da mensagem, mas coadjuvantes dela. O olhar de Belens na descrição dessas pessoas é diferente, interessante, mas fica difícil não se frustrar ao perceber que o argumento fica sempre à frente de quem está ali para desenvolvê-lo. A impressão que fica é que o diretor importa-se muito com a matéria de seu filme, mas quase nada com seus personagens. Uma incorreção que mantém o espectador sempre à margem dessas existências.