cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    PECADO DA CARNE (2009)

    Sincero, quieto e de escolhas contundentes, filme israelense fala de judeus homossexuais<br />
    Por Heitor Augusto
    02/04/2010

    Que vespeiro Pecado da Carne resolveu meter a mão. Primeiro, decidiu contar a história de uma paixão fora dos padrões “normais”. Segundo, por construir um drama crítico ao ultra-ortodoxismo de uma comunidade judaica. Terceiro, por misturar esses dois núcleos.

    O resultado é uma produção firme que já merece atenção pela ousadia de sua própria existência. Mas, como ousadia não garante a qualidade do resultado de um filme (um dos exemplos é Do Começo ao Fim), vamos aos porquês de Pecado da Carne ser uma promissora estreia de Haim Tabakman na direção.

    O primeiro porquê é sua paciência em construir a história. Aos poucos vamos descobrindo quais os caminhos que o filme vai tomar, a começar pela chegada inesperada do jovem Ezri (Ran Danker). Não sabemos de onde veio e nem a razão da viagem, apenas que ele consegue, por sorte, um emprego no açougue do pai de família Aaron (Zohar Strauss).

    O segundo porquê é a direção de Tabakman, que tem muito claro o que quer e aonde pretende chegar. Sem muitas firulas: o que ele quer mesmo é fazer um filme duro, que apresente a impossibilidade do amor em um nicho e as consequências de uma vida de tristeza.

    Não existe trilha sonora para induzir o espectador a sentimentos. Os atores e a força da história já são suficientes para prender a atenção. É um filme enxuto que, após apresentar seus elementos e proposta, chega a equações praticamente impossíveis de serem solucionadas. O jeito é radicalizar e Pecado da Carne não alivia.

    Amores que surgem em ambientes pouco favoráveis recheiam o cinema desde os primórdios, de Nascimento de Uma Nação a O Segredo de Brokeback Mountain. O israelense Pecado da Carne vem acrescentar novas cores, cenários, personagens e silêncios a esse filão cinematográfico.

    Mas não se trata de um épico, com cenários pomposos, atuações rasgadas e lágrimas escorrendo nos rostos dos atores. Antes de qualquer coisa, um filme sincero, quieto e de escolhas contundentes.