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    PECADOS DO MEU PAI

    Faz nova abordagem da história do maior traficante de drogas da Colômbia, Pablo Escobar<br />
    Por Heitor Augusto
    11/05/2010

    Como é amar alguém odiado pela maioria das pessoas? O que é conviver ao lado de alguém que sustenta um poder absurdo, uma fortuna incalculável e é perseguido pelo Estado e por um esquadrão paramilitar da Colômbia? O documentário Pecados do Meu Pai traz um filho, Sebastian Marroquín, olhando para seu pai, Pablo Emilio Escobar Gaviria, o maior traficante de drogas dos anos 80.

    Para quem acompanhou a ascensão e o assassinato de Escobar em 1993, as lembranças remetem ao seu poder. Na visão do filho, porém, o papo é outro. O pai de sua memória, em primeira instância, é afável, atencioso e aventureiro, apesar de Marroquín, nascido Juan Pablo, expôr um claro entendimento sobre quem foi Escobar e como o jovem desejou não repetir a trajetória de seu pai.

    Pecados do Meu Pai inova na abordagem ao levar para o privado algo que tratado publicamente há 16 anos. Com isso, fica a dicotomia: enquanto nós, como espectadores, queremos escafunchar o passado, Sebastian Marroquín quer manter o que aconteceu bem longe, algo para ser superado, esquecido e enterrado. Contradição que move o filme.

    Política

    Talvez pelo fato de Nicolas Entel, o diretor, ser argentino, não tenha sentido necessidade de esmiúçar as origens do tráfico na Colômbia, quais os nomes que ajudaram no crescimento como indústria, a cocaína como a metáfora dos anos 80 e o tamanho da influência, pré-Pablo Escobar, junto ao Estado.

    Para o público brasileiro, creio que muita coisa importante ficou de fora de Pecados do Meu Pai. Especialmente uma questão simples: se Escobar, o maior traficante de cocaína, foi morto em 1993, como a Colômbia chegou ao estágio de abrigar um narcotraficante atualmente na presidência, Álvaro Uribe?

    Falta mais questionamentos ao documentário. Qual o ambiente político na Argentina que permitiu ao governo manipular informações e fazer falsas acusações a Sebastian Marroquín? Qual o papel dos Estados Unidos para que a indústria do tráfico siga de pé na Colômbia?

    Pecados do Meu Pai acerta na abordagem pessoal, o quão complicado foi para Marroquín ser filho de Pablo Escobar e a tentativa de diálogo entre forças opostas. Porém, no aspecto político que é intrinseco à questão, o documentário deixa de fazer questões fundamentais. Talvez pelo próprio desejo da direção em colocar Escobar no passado.

    Mas, será que dá mesmo para colocá-lo no passado para pensar o que é a Colômbia?