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    PEIXE GRANDE E SUAS HISTÓRIAS MARAVILHOSAS

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Coincidência ou não, dois dos melhores filmes dos últimos meses que entraram em cartaz no Brasil falam do relacionamento entre pais e filhos. O primeiro - já amplamente comentado aqui - é o canadense As Invasões Bárbaras. E o segundo é o emocionante Peixe Grande, que entra em cartaz agora.

    Sem querer bater na mesma tecla - e já batendo - Peixe Grande comprova pela enésima vez a grande bobagem que é a badalação feita em cima do Oscar. O filme é dezenas de vezes melhor que Cold Mountain, Encontros e Desencontros, O Retorno do Rei, Sobre Meninos e Lobos e Seabiscuit, ou seja, os indicados mais famosos. Melhor como? Em tudo: idéia básica, conceito, roteiro, riqueza de narrativa, criatividade e - acima de tudo - emoção. Mas é pior de marketing e pior de efeitos especiais e, por isso, não recebe a necessária atenção da mídia e da Academia.

    Dirigido por Tim Burton (Edward Mãos de Tesoura, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça) e baseado no livro de Daniel Wallace, Peixe Grande fala da frustração de Will Bloom (Billy Crudup), um rapaz que acusa o próprio pai Ed (Albert Finney, novamente soberbo como sempre) de ser um mentiroso compulsivo. De tanto ouvir mentiras durante anos e anos, Will afirma não saber as verdadeiras histórias sobre o pai e, conseqüentemente, desconhecer suas próprias raízes familiares. O paizão rebate, afirmando que é o filho que não sabe ouvir direito suas mensagens.

    Durante duas horas de projeção, o público será convidado a ouvir os deliciosos "causos" de Ed. São narrativas que envolvem circos, gigantes, irmãs siamesas, uma cidade perdida, uma bruxa que prevê o futuro, a guerra da Coréia e - claro - um peixe grande. Seria possível acreditar em tanta fantasia? Seria Ed um visionário? Isso quem vai decidir é cada um de nós. A verdade é que Peixe Grande é uma fábula que em várias cenas lembra o estilo do mestre Fellini e em outras expõe o visual rebuscado já consagrado por Tim Burton. Tudo isso recheado de muito conteúdo (matéria-prima em falta ultimamente em Hollywood) e um trabalho de direção de atores acima da média. Um filme para ver e rever. Um belíssimo roteiro aliado a uma direção madura que vai fazer florescer as mais incríveis sensações nos corações das platéias. Eu disse "florescer"? Bom, então talvez não seja por acaso que o nome do personagem seja "Will Bloom", do inglês "Florescerá".