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    PELOS MEUS OLHOS

    Por Sérgio Alpendre
    22/05/2009

    Assistir a Pelos Meus Olhos nos leva a seguinte conclusão: o cinema espanhol está realmente mal das pernas. Como um filme desses consegue sete Goyas (o prêmio máximo do cinema espanhol)? Nada melhor foi feito em 2003?

    O certo é que, após a retirada de Carlos Saura (do clássico Cria Cuervos) - que ainda filma, mas deixou de fazer cinema instigante há tempos -, o ostracismo de Victor Erice (O Espírito da Colméia) e a confirmação de que Bigas Luna (As Idades de Lulu) e Vicente Aranda (Os Amantes) são fogos de palha, capazes de fazer apenas um bom filme depois de umas três bombas, só sobraram Pedro Almodóvar (Volver) e cineastas mais experimentais, como José Luis Guerin (En la Ciudad de Sylvia) e Pere Portabella (O Silêncio Antes de C=Bach). Existem outros que a memória insiste em esconder ou figuras como Iván Zulueta (Arrebato), que não filma há anos.

    Vamos à história de Pelos Meus Olhos: Mulher sai de casa enquanto o marido está fora. Ela leva o filho para a casa da mãe, onde escuta da irmã palavras de incentivo à separação. Ele, claro, vai atrás dela, faz cara de arrependido, diz que está freqüentando um psicanalista, que vai conseguir se controlar.

    Ela vai cedendo, aos poucos. Marca encontros com ele, como namorados. Depois de um tempo, volta para casa. O marido, claro, é um vulcão sempre prestes a explodir. O macho latino, incapaz de admitir que sua mulher pode ser mais inteligente, mais capaz profissionalmente, ou mesmo encarar o fato de que sua mulher é bonita e lida com o público.

    Essas cenas, com ele tentando administrar essas neuras, são constrangedoras e colocam o filme na rasa dimensão do sociológico. Tanto faz como se filma, o importante é que estamos tratando de um tema social digno: o mau trato dado às mulheres. Tema digno, claro, mas não deveriam descuidar da forma como se lida com o tema. Passar uma mensagem é importante, mas tem que se saber como se passa, de que forma ela chega ao espectador. Da maneira que chega em Pelos Meus Olhos, faz com que tudo seja visto como um exercício simplório de cinema conservador. As boas intenções vão para o saco.

    Mas, como na Espanha as coisas não estão nada boas, acabam ganhando prêmios.