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    PEQUENO SEGREDO

    Escolha do longa para o Oscar foi estratégica, mas não a melhor
    Por Iara Vasconcelos
    22/09/2016

    A escolha de Pequeno Segredo para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar dividiu opiniões, já que pouco se sabia sobre a produção antes da decisão da comissão do MinC. A maior surpresa, porém, foi a não indicação de Aquarius, que foi bem avaliado pela crítica internacional durante sua exibição no Festival de Cannes.

    Após assistir o longa de David Schurmann, é possível entender as razões pelas quais o filme foi escolhido pelos júris. Para começar, a trama é uma adaptação de um livro, "Pequeno segredo: A lição de vida de Kat para a família Schurmann", o roteiro conta uma história inspiradora e tem uma aura familiar, bem ao estilo Hollywoodiano. De quebra, o elenco conta com nomes internacionais, como a irlandesa Fionnula Flanagan, de Law & Order e Lost, e o neozelandês Erroll Shand. Na verdade, Pequeno Segredo até parece ser um filme feito sob medida para a Academia. E é exatamente por isso que dá impressão de ser tão genérico.

    O enredo acompanha duas histórias paralelas que estão em tempos cronológicos diferentes - passado e futuro. Uma mostra o relacionamento da amazonense Jeanne (Maria Flor) e do neozelandês Robert, pais biológicos de Kat. Já a outra traz Kat já com 12 anos, já vivendo com os Schurmann, sua família adotiva.

    Sob os cuidados de Heloísa e Vilfredo Schurmann, Kat tentava viver uma vida normal. Fazia balé, natação, tinha suas paixonites, mas sofria com a exclusão de alguns colegas de classe por ser pequena para sua idade. Ela acredita sofrer de hepatite e tomava diversas pílulas, que supostamente eram vitaminas. Foi só depois de procurar os componentes de um dos rótulos na internet que ela questionou sua mãe sobre a real doença. Heloísa tenta preservar a filha o máximo que pôde, mas acabou contando a verdade para ela, que encarou tudo com uma maturidade impressionante.

    A narrativa pouco diz sobre o Brasil ou a sociedade brasileira - a exemplo de Aquarius ou o escolhido do ano passado, Que Horas Ela Volta?, que contam com fortes críticas sociais. A história de Kat poderia acontecer, e tenho certeza que acontece, em qualquer lugar do mundo.

    Essa identificação abrangente com a trama pode ser um ponto crucial para o sucesso do filme no mercado internacional, entretanto o longa falha em se diferenciar das demais histórias do gênero que costumamos ver. Não que a trajetória de Kat em si, que sem dúvidas é um exemplo de perseverança e luta pela vida, não pudesse render um bom filme, o grande problema é a construção genérica de David Schurmann, que abusa de trilhas melódicas e planos em close, que evidenciam as expressões dos personagens, tudo para criar uma atmosfera melodramática.

    Julia Lemmertz entrega uma boa atuação, mas infelizmente não encontra espaço para crescer dentro da trama, mas sem dúvida seus momentos de brilhantismo são sempre ao lado da jovem Mariana Goulart, que se revela promissora e tem o papel mais desafiador de todos.

    Pequeno Segredo não tem o peso e nem a imponência que esperávamos do candidato desse ano, mas sua escolha para representar o Brasil foi pensada estrategicamente. Resta saber se a Academia ainda se apegará aos velhos formatos de se fazer drama.