Perdido Em Marte

PERDIDO EM MARTE

(The Martian)

2015 , 141 MIN.

12 anos

Gênero: Ficção Científica

Estréia: 01/10/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Ridley Scott

    Equipe técnica

    Roteiro: Drew Goddard

    Produção: Mark Huffam, Michael Schaefer, Ridley Scott, Simon Kinberg

    Fotografia: Dariusz Wolski

    Trilha Sonora: Harry Gregson-Williams

    Estúdio: Genre Films, International Traders, Mid Atlantic Films, Scott Free Productions, Twentieth Century Fox Film Corporation

    Montador: Pietro Scalia

    Distribuidora: Fox Film do Brasil

    Elenco

    Aksel Hennie, Brian Caspe, Chen Shu, Chiwetel Ejiofor, Donald Glover, Eddy Ko, Enzo Cilenti, Geoffrey Thomas, Greg De Cuir, Gruffudd Glyn, Jeff Daniels, Jessica Chastain, Jonathan Aris, Kate Mara, Kristen Wiig, Lili Bordán, Mackenzie Davis, Mark O'Neal, Matt Damon, Matt Devere, Michael Peña, Mike Kelly, Naomi Scott, Narantsogt Tsogtsaikhan, Nick Mohammed, Peter Linka, Sean Bean, Sebastian Stan, Szonja Oroszlán, Yang Haiwen

  • Crítica

    29/09/2015 17h45

    Por Daniel Reininger

    Prometheus pode ter sido impressionante visualmente, mas não foi um bom filme. Agora, Ridley Scott se redime com Perdido Em Marte, o qual repete a capacidade de impressionar desde a abertura, dessa vez com paisagens vermelhas e estéreis; porém, a produção vai além do visual impecável, apresenta boa história, grandes personagens e é capaz de despertar a curiosidade do espectador sobre cada aspecto dos acontecimentos retratados na tela.

    O longa é uma celebração da inteligência e engenhosidade humanas e o humor é bônus inesperado. Na trama, durante missão a Marte, o astronauta Mark Watney (Matt Damon) é dado como morto após uma feroz tempestade obrigar a equipe a retornar à Terra. Só que o cientista sobrevive e se encontra sem recursos e sozinho no planeta hostil. Precisa então usar criatividade para sobreviver por um longo período e ainda encontrar uma maneira de avisar à NASA que está vivo.

    É o desempenho de Damon que segura o filme até o final. E ele está fantástico. O ator é capaz de alternar entre estados emocionais extremos, como euforia, depressão, esperança, desapego, tudo de forma muito convincente, sem dever nada ao Náufrago de Tom Hanks. E a tarefa não é fácil, afinal Watney passa muito tempo sozinho tentando solucionar problemas relacionados à comida, água e como viajar longas distâncias.

    Videologs do cientista sobre seus pensamentos e experimentos ajudam a humanizar Whatney, tanto quanto Wilson ajudou Tom Hanks no filme de 2000. A priori, os vídeos parecem uma saída fácil para fazer o personagem expor o que faz e sente, entretanto, logo fica claro que esse tipo de documentação seria algo que um cientista orgulhoso como ele faria numa situação dessas.

    Com isso, o longa ganha no aspecto emocional e também no realismo, algo constante apesar do absurdo das situações. Obviamente, muitos vão apontar falhas, como acontece em todo e qualquer sci-fi, mas a ideia aqui é surpreender a maioria dos espectadores – e isso Scott consegue fazer. Dito isso, o diretor força a barra (de verdade mesmo) perto do final, no entanto, a essa altura, já abraçamos a ideia e fica mais fácil engolir o impossível.

    O verdadeiro problema é que esse realismo obriga a história a ter personagens demais envolvidos no resgate. Em determinado momento, a trama foca demais na NASA e no JPL (Jet Propulsion Laboratory), onde vários experts lutam para montar a missão de resgate.

    Embora personagens e elenco sejam fortes, com Kate Mara, Kristen WiigSean Bean, Jeff Daniels e Chiwetel Ejiofor (para citar alguns), e existam boas cenas ali, a diversidade de pessoas importantes atrapalha. Pior, toda vez que a narrativa deixa Damon de lado, o longa perde ritmo e fica arrastado – algo problemático para um filme que já é longo por natureza.

    Longo, mas belo. Como falei na abertura, Perdido em Marte é espetacular esteticamente. O planeta vermelho é lindo, os ambientes dos habitats e das naves lembram 2001: Uma Odisseia No Espaço, sem deixar de ser realista. A fotografia é inspirada, com incríveis planos abertos dos cenários desolados e closes bem utilizados para reforçar a tensão.

    Tecnicamente o problema é outro: a ideia de fazer piada com o gosto musical da capitã Melissa Lewis (Jessica Chastain), que ama Dance antigo, é engraçadinha no começo, mas não funciona como trilha sonora. Mark odeia as músicas, porém ouve por falta de opção – e o problema é que nem ele nem o espectador passam a odiar o estilo, como seria a ideia – e as animadas canções ainda quebram o clima de algumas cenas mais tensas.

    É justo dizer que Ridley Scott não fez algo perfeito, mas esse é certamente o seu melhor filme em muitos anos. Apesar das falhas, Perdido em Marte é incrível e inspirador. Capaz de fazer uma nova geração se interessar pelo espaço, assim como Gravidade e Interestelar fizeram recentemente, embora, para mim, o longa com Sandra Bullock seja o melhor dos três. No final das contas, esse longa é de Matt Damon, responsável pelos grandes momentos da produção e capaz de fazer espectadores de todas as idades sonharem.



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