cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    Matt Damon é responsável pelos grandes momentos de Perdido em Marte

    Matt Damon é responsável pelos grandes momentos do sci-fi
    Por Daniel Reininger
    29/09/2015 - Atualizado há 17 dias

    Prometheus pode ter sido impressionante visualmente, mas não foi um bom filme. Agora, Ridley Scott se redime com Perdido Em Marte, o qual repete a capacidade de impressionar desde a abertura, dessa vez com paisagens vermelhas e estéreis; porém, a produção vai além do visual impecável, apresenta boa história, grandes personagens e é capaz de despertar a curiosidade do espectador sobre cada aspecto dos acontecimentos retratados na tela.

    O longa é uma celebração da inteligência e engenhosidade humanas e o humor é bônus inesperado. Na trama, durante missão a Marte, o astronauta Mark Watney (Matt Damon) é dado como morto após uma feroz tempestade obrigar a equipe a retornar à Terra. Só que o cientista sobrevive e se encontra sem recursos e sozinho no planeta hostil. Precisa então usar criatividade para sobreviver por um longo período e ainda encontrar uma maneira de avisar à NASA que está vivo.

    É o desempenho de Damon que segura o filme até o final. E ele está fantástico. O ator é capaz de alternar entre estados emocionais extremos, como euforia, depressão, esperança, desapego, tudo de forma muito convincente, sem dever nada ao Náufrago de Tom Hanks. E a tarefa não é fácil, afinal Watney passa muito tempo sozinho tentando solucionar problemas relacionados à comida, água e como viajar longas distâncias.

    Videologs do cientista sobre seus pensamentos e experimentos ajudam a humanizar Whatney, tanto quanto Wilson ajudou Tom Hanks no filme de 2000. A priori, os vídeos parecem uma saída fácil para fazer o personagem expor o que faz e sente, entretanto, logo fica claro que esse tipo de documentação seria algo que um cientista orgulhoso como ele faria numa situação dessas.

    Com isso, o longa ganha no aspecto emocional e também no realismo, algo constante apesar do absurdo das situações. Obviamente, muitos vão apontar falhas, como acontece em todo e qualquer sci-fi, mas a ideia aqui é surpreender a maioria dos espectadores – e isso Scott consegue fazer. Dito isso, o diretor força a barra (de verdade mesmo) perto do final, no entanto, a essa altura, já abraçamos a ideia e fica mais fácil engolir o impossível.

    O verdadeiro problema é que esse realismo obriga a história a ter personagens demais envolvidos no resgate. Em determinado momento, a trama foca demais na NASA e no JPL (Jet Propulsion Laboratory), onde vários experts lutam para montar a missão de resgate.

    Embora personagens e elenco sejam fortes, com Kate Mara, Kristen WiigSean Bean, Jeff Daniels e Chiwetel Ejiofor (para citar alguns), e existam boas cenas ali, a diversidade de pessoas importantes atrapalha. Pior, toda vez que a narrativa deixa Damon de lado, o longa perde ritmo e fica arrastado – algo problemático para um filme que já é longo por natureza.

    Longo, mas belo. Como falei na abertura, Perdido em Marte é espetacular esteticamente. O planeta vermelho é lindo, os ambientes dos habitats e das naves lembram 2001: Uma Odisseia No Espaço, sem deixar de ser realista. A fotografia é inspirada, com incríveis planos abertos dos cenários desolados e closes bem utilizados para reforçar a tensão.

    Tecnicamente o problema é outro: a ideia de fazer piada com o gosto musical da capitã Melissa Lewis (Jessica Chastain), que ama Dance antigo, é engraçadinha no começo, mas não funciona como trilha sonora. Mark odeia as músicas, porém ouve por falta de opção – e o problema é que nem ele nem o espectador passam a odiar o estilo, como seria a ideia – e as animadas canções ainda quebram o clima de algumas cenas mais tensas.

    É justo dizer que Ridley Scott não fez algo perfeito, mas esse é certamente o seu melhor filme em muitos anos. Apesar das falhas, Perdido em Marte é incrível e inspirador. Capaz de fazer uma nova geração se interessar pelo espaço, assim como Gravidade e Interestelar fizeram recentemente, embora, para mim, o longa com Sandra Bullock seja o melhor dos três. No final das contas, esse longa é de Matt Damon, responsável pelos grandes momentos da produção e capaz de fazer espectadores de todas as idades sonharem.