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    PETER PAN

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Na verdade, o filme deveria se chamar Wendy, já que é esta pré-adolescente (muito bem-interpretada pela estreante inglesa Rachel Hurd-Wood) a responsável por toda a ação e, no fundo, a verdadeira protagonista do filme. Molecona, a menina se diverte contando histórias cheias de aventura e fantasia aos seus dois irmãos mais novos. Certo dia, sua tia Millicent (Lynn Redgrave) chama a atenção dos pais de Wendy para o fato da menina estar crescendo rapidamente, dela já estar começando a desenvolver um "beijo" no canto dos lábios e, conseqüentemente, da necessidade dela dormir no próprio quarto. E mais: que o pai de Wendy deveria se esforçar para se tornar mais político e mais puxa-saco do patrão, para assim subir na carreira e proporcionar à filha um noivo mais digno. A notícia cai como uma bomba na família Darling. Se Wendy for dormir em quarto separado, acabam-se as noites deliciosas de histórias e mais histórias ao lado dos irmãos. E o pai dela é um zero à esquerda na "arte" de puxar o saco de quem quer que seja. Enfim, a teoria de tia Millicent é que a espontaneidade e a felicidade não combinam com uma vida adulta e responsável. Crescer é difícil e penoso.

    É neste contexto que Wendy conhece um estranho ser mágico - Peter Pan, finalmente, interpretado por Jeremy Sumpter - que propõe a ela um mundo de felicidade infinita: viajar para uma terra onde as pessoas jamais crescem, podendo assim exercer para sempre o saudável o ofício da molecagem. Wendy cai no conto e vai para a Terra do Nunca levando de carona seus dois irmãos. O lugar é pura fantasia: índios, sereias, piratas e, claro, o impagável bando do Capitão Gancho (vivido por Jason Isaacs, o Lucius de Harry Potter e a Câmara Secreta, que também faz o papel do pai de Wendy). Tudo estaria perfeito não fosse a terrível realidade: por mais doloroso que seja, crescer é preciso. E Wendy sente a dor de estar descobrindo sua sexualidade ao se apaixonar por um ser que se recusa a crescer - logo - se recusa a assumir responsabilidades, a se engajar.

    A sexualidade, tema banido do mundo maravilhoso de Disney, é abordada com precisão e singeleza no filme de Hogan. A pré-adolescência, as dúvidas do mundo adulto, a insegurança, a paixão não correspondida, tudo flui na tela com graça e dignidade, fazendo de Peter Pan não somente uma ótima diversão para as crianças (a caprichadíssima produção de US$ 100 milhões é de encher os olhos e os corações), como também para pais e adolescentes dispostos a discutir o tema.

    Uma curiosidade: parte de Peter Pan foi financiada pelo milionário Mohamed El Fayed, como uma homenagem ao seu filho Dodi, morto no mesmo o acidente automobilístico que vitimou a princesa Diana.