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    PICA-PAU

    Dificilmente veremos as crianças de hoje em dia se encantando com aquele querido pássaro
    Por Thamires Viana
    05/10/2017

    Até hoje alguns personagens de desenho animado se mantêm presentes na memória daqueles que cresceram assistindo. Pica-pau é um deles. Lançado nos anos 40 por Walter Lantz, o pássaro de risada inconfundível e um jeito irreverente cativou milhões de crianças e adultos que passavam as tardes acompanhando suas aventuras na TV aberta. Conquistando gerações, as trapalhadas desse personagem renderam muita audiência nas emissoras onde passava.

    No longa Pica-Pau, o pássaro arma todas para o casal Lance Walters, interpretado pelo ator Timothy Omundson, e Vanessa, personagem da brasileira Thaila Ayala. O casal e Tommy, filho de Waters, viajam para a reserva ambiental onde vive o pássaro, com planos de construir uma casa moderna no local. O que eles não contavam era com as armações do crista-vermelha para impedir que seu território fosse tomado por humanos.

    O maior erro de Pica-Pau foi desvalorizar o amado personagem de forma que o longa passa a não ser apreciado pela nostalgia e dificilmente consiga conquistar um novo público. Foram poucas as características do pássaro trazidas para o live-action. Nele o personagem é raso, um pouco irritante e com um ar debochado que não cativa nem mesmo os fãs. As pilantragens e armações fogem daquelas bem elaboradas mostradas no desenho e as piadas estão longe de serem inteligentes como estamos acostumados.

    Outro grande erro são as atuações dos personagens de carne e osso. Eles estão tão preocupados em passar naturalidade durante as conversas com o pássaro, que acabam soando falsos e forçados. Ponto positivo para Graham Verchere, ator que vive o adolescente Tommy. A amizade do garoto com o pássaro consegue deixar o público um pouco mais aliviado em relação à trama. Mesmo que de forma rasa, é possível ver que o longa insere temas como família e amizade.

    A atração para nós brasileiros talvez seja Thaila Ayala. Entretanto, a atriz não consegue passar um pingo de empolgação para o espectador tupiniquim. Com um personagem clichê de filmes hollywoodianos, Vanessa é a típica "patricinha que odeia a natureza" e vira alvo número um do pássaro, que não perdoa seu jeito mimado e faz de tudo para meter a moça em situações constrangedoras. Na versão dublada, o esforço da atriz para recriar suas falas em português rouba a atenção pela falta de sincronia e naturalidade, gerando um combo de atuação forçada, dublagem dessincronizada e personagem sem carisma.

    Não espere o Zeca-Urubu, o Leôncio ou a bruxa com o bordão "É lá vamos nós". Deles não há sinal e nenhuma referência. Pica-Pau chega de forma genérica, quase que irreconhecível aos fãs. Mesmo voltado para um público novo e de fato infantil, dificilmente veremos as crianças de hoje em dia se encantando com aquele querido pássaro que acompanhou a infância de muitos de nós adultos.