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    Pinóquio garante que a magia encontre o momento certo para aflorar nas telas

    Nova versão é uma releitura dark do clássico italiano
    Por Thamires Viana
    20/01/2021 - Atualizado há cerca de 1 mês

    A clássica história de Pinóquio, o boneco de madeira que sonha em ser gente, é marcada no imaginário popular pelos ares de fantasia que encantavam a animação de 1940, a segunda feita pelos estúdios Disney. Dela nos lembramos das mentiras que fazem o nariz crescer, do Grilo Falante que "salvava" o boneco de grandes trapalhadas e da inocência de uma criaturinha que almeja se aventurar pelo mundo.  

    A nova versão em live-action que chega aos cinemas sob o comando do italiano Matteo Garrone não anula completamente o clima nostálgico da história, mas entrega uma adaptação sombria que, muitas vezes, se desprende daquele Pinóquio que conhecemos há mais de oito décadas. A rapidez com que o esperto boneco de madeira ganha vida quebra a expectativa e afasta o lado mais emocionante do afeto entre ele e seu pai, Gepeto, vivido pelo brilhante Roberto Benigni.  

    Com menos tempo de tela do que merecia, o ator italiano entrega uma atuação consistente e muito simpática, porém só explorada quase ao final do filme, no qual também é aprofundado o elo entre criador e criatura. O mesmo acontece com o Grilo Falante que assume mais o lugar de consciência do boneco do que um carismático personagem recorrente na história. É provável também que o público espere por mais momentos de um certo narizinho crescendo diante das mentiras, mas é somente em uma cena que esse grande marco do personagem acontece.  

    Mas, calma, a inocência de Pinóquio diante de um mundo de possibilidades ainda permeia por essa nova adaptação, assim como outros momentos vistos na animação. Há o itinerante circo de bonecos, a Fada Azul que realiza seu grande sonho, o estômago de uma baleia gigante que vira o cenário de um emocionante reencontro, assim como a Ilha dos Prazeres, palco de uma grande transformação para Pinóquio.  

    E não é segredo que essa nova produção se aproxima mais do conto original criado por Carlo Collodi do que da popular animação. Publicado em 1883, este trazia mais críticas à sociedade tradicionalista da época e simbolismos mais sombrios em suas páginas. Prova disso é que o filme entrega pontos mais realistas em sua trama, como as dificuldades financeiras enfrentadas pelo solitário marceneiro, algo que é explorado pelo escritor no romance homônimo, mas pouco aprofundado na animação que prefere preservar o lado mais mágico da história.  

    Com as versões em live-action dominando o mercado hollywoodiano nos últimos anos, Pinóquio não fica atrás no quesito qualidade técnica. Os efeitos em CGI são bem construídos e a caracterização do ator mirim Federico Ielapi para viver o personagem é realmente um grande primor. Por apostar nessa releitura mais dark, o visual pode até assustar os espectadores mais novos pelo realismo, mas nada que desfoque da grandiosidade da produção. O mesmo acontece com os personagens secundários e também com os cenários que Pinóquio encontra em seu caminho. 

    Embora opte pelo amadurecimento da história, Pinóquio consegue encantar e divertir públicos de todas as idades, garantindo que a magia encontre o momento certo para aflorar nas telas. Assim como em outras produções em live-action, as mudanças não tiram o verdadeiro sentido de um dos maiores clássicos do cinema, mas trazem um novo tom adequando-se à sociedade que vive em constante transformação.