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    PINTAR OU FAZER AMOR

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Seria uma nova tendência, um subgênero ou um modismo passageiro? Difícil dizer, mas o cinema francês vem se especializando ultimamente num estilo cinematográfico bem marcado e definido. Um estilo ainda sem nome, mas que pode ser delineado por meio de uma fórmula que inclui: (a) tranqüilos casais de classe média alta tendo suas estabilidades repentinamente ameaçadas; (b) narrativa lenta, reflexiva e bem cadenciada; e (c) um certo toque de estranhamento. Só para falar de filmes mais recentes, esta fórmula pode ser vista em Cachê, Lemming - Instinto Animal e, agora, em Pintar ou Fazer Amor.

    O casal em questão é formado pelo meteorologista William (Daniel Auteuil, o mesmo de Caché) e pela empresária Madeleine (Sabine Azéma), que vive num pequeno e belíssimo vilarejo próximo às montanhas. Cinqüentões, estão com a vida estabilizada. William acaba de aposentar, a pequena empresa de Madeleine caminha praticamente sozinha e a filha do casal foi estudar na Itália.

    Tudo começa a tomar outros rumos quando Adam (Sergi López, de Harry Chegou para Ajudar), prefeito do vilarejo, mostra para Madeleine uma casa à venda nas proximidades. O casal se apaixona pelo imóvel, compra-o e inicia um processo de amizade com Adam e sua esposa Eva (Amira Casar). Um relacionamento com desdobramentos que provavelmente o estável casal jamais havia sonhado.

    Os irmãos Arnaud e Jean-Marie Larrieu, roteiristas e diretores do filme, espalham algumas interessantes subleituras pela trama. Exemplo: o personagem que dá início a todo o processo de "liberação" das convenções sociais é um homem cego. Numa bela cena, é ele quem deve orientar os personagens "que enxergam" através da escuridão da mata. Nada mais subjetivo que a visão. Ou a falta dela. Este cego e sua esposa formam o casal Adam e Eva. Seria a proposta de gênese para um outro tipo de relacionamento? Logo no começo do filme, William e seus amigos conversam ao cair do sol, numa sala que se torna cada vez mais escura. Fala-se de aposentadoria. Cabe à presença - radiante - de Madeleine invadir a sala com seu sorriso e acender aos poucos todos os abajures. Ela leva ao marido a proposta de uma nova casa, de uma nova vida, uma nova luz. E assim vai, num divertido jogo de referências que torna o filme dos mais interessantes.

    Inteligente e bem dirigido, Pintar ou Fazer Amor concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes de ano passado, mas acabou não sendo premiado.