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    PIXELS

    Pixels é um filme passável de Adam Sandler e nada mais
    Por Daniel Reininger
    22/07/2015

    Muita expectativa foi criada em torno de Pixels, filme da Sony com personagens clássicos dos games dos anos 80, como Pac-Man. Todos queriam ver como esses jogos criados em 2D seriam levados às telonas em 3D. E nesse aspecto o longa não desaponta, com versões criativas de Q*Bert, Donkey Kong e forte apelo para a nostalgia. Entretanto, o longa produzido pela Happy Madison não escapa de ser um típico longa de Adam Sandler, a diferença é que esse é um filme passável do ator/produtor - algo raro ultimamente.

    Como consequência, se você adora o trabalho de Sandler, mesmo as fracas comédias mais recentes, tem tudo para amar Pixels. Se você não suporta o ator, mesmo em suas melhores produções, vai detestar esse longa com certeza. Para quem não está em nenhum dos extremos do espectro, boas cenas de ação e a presença de personagens amados podem ajudar a esquecer dos problemas da produção, gerar nostalgia e garantir a diversão até o fim. Ao menos, a premissa, baseada em um curta, é boa.

    Na trama, Brenner (Adam Sandler) é um jovem prodígio do videogame em 1982, mas que acaba perdendo o campeonato mundial para Eddie (Peter Dinklage) - o que afeta sua vida inteira. Simultaneamente, os games do torneio são enviados ao espaço juntamente com outros exemplos de cultura terráquea (como clipes da Madonna) para tentativa de contato com extraterrestres. Trinta e três anos depois, alienígenas respondem ao que entendem ser um "desafio" dos humanos e invadem a Terra - a única chance é recrutar os campeões do passado (e atuais losers) para enfrentar a ameaça dentro de suas próprias regras.

    Todos os clichês de filmes de invasões de outros mundos aparecem aqui, como o gosto dos aliens por destruir monumentos arquitetônicos, por exemplo, mas é algo até perdoável, afinal o roteiro pretende exatamente brincar com o gênero. Para compensar, as cenas de combate contra os videogames são bem feitas e capazes de captar o espírito dos jogos. Destaque para a luta entre Pac-Man e 4 Mini Coopers, muito bem bolada e divertida.

    Infelizmente, o humor é o maior problema do filme. Pode até arrancar um sorriso de vez em quando, mas, como falado anteriormente, as piadas são típicas de Adam Sandler: sexistas e apelativas. A vantagem é que ele até está contido, então a produção se torna passável e não possui momentos escatológicos. Se o longa focasse mais nas cenas absurdas de ação e menos em diálogos cujo objetivo é criar piadas fáceis, as coisas poderiam ser melhores.

    Outro problema são as atuações. Sandler continua interpretando a si mesmo – seja qual filme for, o personagem não muda. Kevin James parece nem mesmo se esforçar para convencer como presidente dos Estados Unidos e Peter Dinklage, sempre tão bem em Game Of Thrones, não poderia estar mais caricato como Fire Blaster. Somente Michelle Monaghan sai com um pouco de dignidade – mas por pouco.

    No final das contas, Pixels não tem o mesmo impacto de Detona Ralph, animação sobre games que nem é tudo isso, mas reúne os maiores personagens dos jogos em um filme 3D, ambientado no mundo dos próprios videogames e com muito mais carisma. Na produção da Disney, embora boa parte da trama se perca em uma corrida sem graça, videogames são tratados de forma mais profunda e próxima da realidade de milhões de pessoas que passam horas na frente de PS4s e Xbox Ones atualmente.

    Pixels, por sua vez, parece querer agradar aos adultos com mais de 40 anos que jogaram Pac-Man e companhia em arcades, mas, na verdade, deve funcionar mesmo com crianças pequenas que irão adorar os jogos coloridos dançando na telona.