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    PLANETA DOS MACACOS: A GUERRA

    Filme encerra a trilogia de forma digna, mas não supera anterior
    Por Daniel Reininger
    01/08/2017

    Planeta Dos Macacos: A Guerra é um filme diferente do que parecia. Muito mais contemplativo do que de ação; é uma boa obra de Matt Reeves, um grande clímax para a trilogia de César (Andy Serkis), mas ainda não supera o filme anterior, o ótimo Planeta Dos Macacos: O Confronto.

    Dessa vez, vemos os resultados da guerra entre os humanos e os macacos iniciada no final do filme anterior e o massacre de ambos os lados é terrível. Além disso, a humanidade enfrenta uma nova ameaça, uma mutação do vírus símio que agora ataca a mente humana. Diante desse cenário caótico, César e seus macacos precisam enfrentar um ataque desesperado dos humanos, que esperam alcançar a sobrevivência eliminando os oponentes óbvios.

    O grande trunfo do filme é novamente Andy Serkis, incrível no papel do líder dos macacos. E, assim como em seu antecessor, o foco do novo filme é César e seus companheiros símios, o que faz com que essa obra se destaque tanto pelo ponto de vista da evolução dos personagens quanto do ponto de vista técnico.

    Considerando que os macacos criados com captura de movimentos foram inovadores já nos anteriores, nesse filme os efeitos visuais da Weta Digital são tão perfeitos que quase esquecemos que nada daquilo é real. O elenco todo é muito bom, o que ajuda muito nesse ponto, e vale dizer quer Serkis realmente merecia, ao menos, uma indicação ao Oscar por sua performance em A Guerra.

    Entretanto, como filme de grandes orçamentos e grandes fracassos recentes revelaram, nada disso importa se os espectadores não se interessam pela história. Felizmente, Guerra alcança esse objetivo graças a elementos como a adição do Coronel vivido por Woody Harrelson, com sua cabeça raspada, pintura de rosto de camuflagem e métodos incomuns de liderança que traçam paralelos com outros personagens clássicos, como Coronel Walter E. Kurtz, vivido por Marlon Brando em Apocalypse Now.

    Com boas sacadas para proporcionar leveza, Guerra consegue diluir o clima opressivo da situação de César e seu seguidores, mas sem perder impacto, o que ajuda a trama. Além disso, a chegada de Macaco Mau, um novo personagem interpretado por Steve Zahn, traz humor na medida certa (na maioria das vezes), além de ajudar a expandir o mundo, afinal César percebe que outros não tiveram a mesma sorte que ele. O personagem é uma incrível adição ao elenco.

    A jornada de César se torna ainda mais incrível nesse longa, porque ele enfrenta os mesmos dilemas que Koba, personagem que inicia a guerra entre humanos e macacos, enfrentou no filme anterior. No passado, César não o compreendeu, mas agora passa precisa lidar com sentimentos similares e a forma como decide fazer isso aprofunda ainda mais esse grande personagem.

    O filme se arrastra um pouco lá pela metade, afinal a sequência na prisão se alonga demais e, eventualmente, parece um pouco sem sentido e o filme funcionaria melhor com mais ritmo nessas horas. Mesmo assim, o longa consegue surpreender, empolgar e emocionar, e as cenas de ação são boas. Interessante também é a forma como o longa relembra a série clássica ao introduzir uma menina humana muda chamada Nova, personagem do filme de 1968.

    Outro pecado do longa são as obviedades. O longa acaba exagerando um pouco em seu final em momentos forçados de emoção e nos clichês hollywoodianos básicos, mas são detalhes que atrapalham, mas não tiram o brilho dessa trilogia magnifica. Planeta Dos Macacos: A Guerra é um fechamento digno e o mundo criado aqui é tão rico que pode render muitos outros filmes sem grande esforço, afinal, existem diversas histórias para contar.