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    UM PLANETA SOLITÁRIO

    Falta estofo para sustentar trama que se arrasta
    Por Roberto Guerra
    02/04/2014

    Este é um filme de narrativa fora do convencional, contando apenas com um ponto de virada no roteiro, que ocorre bem no meio da trama dividindo o longa em dois atos. Não há a terceira parte e cabe ao espectador imaginar, após a subida dos créditos, o destino de seus personagens centrais. Os diálogos são poucos, os silêncios eloquentes muitos e é nítido que a diretora e roteirista Julia Loktev se empenha na quebra de expectativas.

    Com isso Um Planeta Solitário consegue criar uma espécie de suspense que vai acompanhando seus protagonistas e evita que o espectador se disperse. No entanto, ao final da exibição, tem-se a sensação que faltou substrato ao longa, que este é apenas um simulacro de filme à procura de um espectador abnegado que encontre lá algum sentido especial, algo a refletir. Mas é preciso muito boa vontade para isso.

    O filme é ambientado na Geórgia. Lá, um jovem casal de turistas, Alex (Gael Garcia Bernal) e Nica (Hani Furstenberg), resolve se aventurar nas montanhas da região com a ajuda de Dato (Bidzina Gujabidze), um guia local que encontram na rua. Eles estão de casamento marcado e parecem apaixonados. E os primeiros 48 minutos da produção são dedicados exclusivamente a isso: mostrar o quanto são íntimos e entrosados. Estes momentos são entrecortados com cenas das belas montanhas do Cáucaso. O filme se arrasta.

    No meio do caminho (e do filme), cruzam com campesinos e um mal-entendido faz com que Alex exiba um breve momento de defesa instintiva, interpretada como covardia. Somente a partir daqui o longa estabelece seu conflito. A relação emocional de Alex e Nica muda drasticamente e o peso do silêncio aflitivo e o distanciamento físico entre os dois se faz presente na tela.

    Com um atraso desnecessariamente longo, Um Planeta Solitário torna-se interessante. Bernal e Hani trabalham muito bem a tensão silenciosa que se estabelece entre seus personagens. Mas este conflito não vai se resolver na tela. Como dito anteriormente, a diretora suprime o terceiro ato. O filme simplesmente acaba com ambas as viagens pelo meio: a caminhada pelas montanhas e a trajetória do amor dos dois.

    A analogia entre jornada afetiva e peregrinação por locais desconhecidos parece insuficiente para sustentar a viagem que o filme propõe ao público. O espectador que chega ao destino não é diferente daquele que saiu do ponto de partida. E se nada mudou, é sinal que a viagem não foi proveitosa.