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    PODERIA ME PERDOAR?

    Por Thamires Viana
    13/02/2019

    O que fazer quando sua voz não é mais ouvida? Para Lee Israel, falecida biógrafa americana, a oportunidade de migrar para algo ilegal e lucrativo foi a saída para muitos problemas pessoais e financeiros. Em sua autobiografia lançada em 2008, ela relembra o período de sua vida em que passou a forjar cartas de escritores famosos para vendê-las a colecionadores. É neste livro que Poderia Me Perdoar?, novo longa estrelado por Melissa McCarthy e que chega aos cinemas nesta quinta-feira (14), se inspira para contar ao público os detalhes de uma história para lá de interessante. 

    Com uma trama que mistura drama e pitadas de humor, a diretora Marielle Heller conseguiu trazer para as telas um filme que leva o espectador a embarcar nas artimanhas de Israel e a criar empatia pela mulher amargurada que perde as esperanças em recuperar a autoestima e o lado criativo. Conhecida por sua comédia dramática O Diário de Uma Adolescente, a diretora parece ter colocado os pés no chão e centrado suas técnicas em um trabalho maduro, que aborda um recorte da vida de Israel sem deixar incertezas no público.

    É clara a liberdade dada para McCarthy em tela. Aqui, a atriz insere sua veia humorística em algumas cenas, contrastando a leveza de uma gargalhada em meio ao drama tenso que cerca a história. Fica evidente a preocupação de Heller em detalhar os motivos que fizeram a escritora a seguir por um caminho incorreto, e isso evita que a trama se desloque para o lado fútil daquela que passa a faturar uma bolada sem muito esforço. 

    O roteiro escrito por Nicole Holofcener e Jeff Whitty é conciso e inteligente, principalmente quando insere Jack Hock, vivido brilhantemente pelo ator Richard E. Grant, indicado na categoria de Melhor Ator Coadjuvante. Embora a trama seja focada em Israel, o personagem, que é um grande amigo da escritora, se destaca com sua grandiosidade e importância para o decorrer da história. Hock é trabalhado e aprofundado de uma forma que não desvia as atenções da protagonista, e a amizade e sociedade entre os dois é um terceiro elemento bem construído.

    McCarthy merece todo o merecimento por sua atuação, tanto que foi notada pela Academia e recebeu sua primeira indicação na categoria de Melhor Atriz. Até quem não curte suas comédias escrachadas, como é o caso de Tammy e A Espiã Que Sabia De Menos, vai se surpreender com o talento e determinação da atriz ao estrelar um drama tão intenso e profundo. Acostumada a arrancar risadas do público, aqui ela prova que possui mil facetas e que sabe arrancar lágrimas na mesma medida. 

    Poderia Me Perdoar? é uma experiência agradável e imersiva que nos faz pensar sobre a força de uma mulher que usou e abusou da sorte só para recuperar a sua esperança e se sentir viva mais uma vez.