cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    POETA DE SETE FACES

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Um bem-vindo e oportuno lançamento: o documentário Poeta de Sete Faces chega ao circuito comercial exatamente na semana em que é celebrado o centenário de Carlos Drummond de Andrade, objeto de seu roteiro. Raramente se vê no cinema – ou no marketing – brasileiro tamanha adequação e senso de oportunidade.

    Sob a direção de Paulo Thiago, o mesmo de Vagas Para Moças de Fino Trato, o filme retrata a trajetória humana do poeta, ao mesmo tempo em que investiga e documenta os diversos momentos de sua obra e de sua atuação social.

    De maneira tradicional, porém eficiente, Poeta de Sete Faces mistura interessantíssimas imagens de época com interpretações atuais de parte da obra de Drummond, por meio das presenças de diversos atores. Entre eles, Nildo Parente, Paulo José, Renato Faria, Cláudio Mamberti (em sua última participação no cinema), Zezé Motta, Leonardo Vieira, Antônio Calloni, Othon Bastos, Luciana Braga, Ana Beatriz Nogueira, Cristina Pereira e – dando um show final - Paulo Autran. Carlos Gregório faz o papel do poeta nos momentos dedicados ao estilo docu-drama.

    O filme se divide em três etapas que correspondem às fases da obra de Drummond. A primeira – chamado de “Vai Carlos, ser gauche na vida”, registra do seu nascimento em Itabira em 1902 até o final da sua “Poesia Modernista” em Belo Horizonte, antes da mudança para o Rio de Janeiro, em 1934. A segunda - “A vida apenas, sem mistificação” - começa com a mudança de Drummond para o Rio de Janeiro e enfoca o momento de atuação política na vida do escritor, aliada a sua obra de crítica social. E a última - “Como ficou chato ser moderno, agora serei eterno” - focaliza do início dos anos 50 até os anos 80, a fase do poeta-filósofo, do verso enigmático, do cronista de sucesso, da glória literária.

    Poeta de Sete Faces é um documentário sóbrio, sob muitos aspectos até formal em demasia, mas mesmo assim preenche uma lacuna importante para o cinema e para a cultura do Brasil: a documentação de um dos nossos maiores (talvez o maior) poetas e escritores do País.

    31 de outubro de 2002
    ____________________________________________
    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br