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    PONTE PARA TERABÍTIA

    Por Angélica Bito
    16/03/2007

    Baseado em best seller infanto-juvenil homônimo, Ponte Para Terabítia é um longa-metragem tocante que oferece ao espectador - independente de sua idade - emoções inesperadas. Muito mais adulto e sensível do que parece ser, a produção carrega a maturidade que falta a muitas produções destinadas ao mesmo público, sem desmerecer a inteligência dos espectadores juvenis.

    O filme mostra a amizade que surge entre dois outsiders dentro de seu próprio mundinho. Jesse Aarons (o adorável Josh Hutcherson, de ABC do Amor e Zathura - Uma Aventura Espacial) é o único filho numa casa com outras quatro irmãs. Seus pais enfrentam sérios problemas financeiros e na escola as coisas não são mais fáceis, já que o menino é sempre alvo dos valentões de sua sala na 5ª série. São três os únicos momentos nos quais o menino parece ser feliz: quando corre, desenha e assiste à aula de música, ministrada pela senhorita Edmonds (Zooey Deschanel), por quem o garoto nutre uma paixão platônica e impossível, dessas que as crianças vivem se metendo. Na volta às aulas depois das férias, tudo que ele quer é ser o mais rápido de sua sala, mas uma nova aluna ameaça essa posição. Ela é Leslie Burke (AnnaSophia Robb, a Violet de A Fantástica Fábrica de Chocolates), recém-chegada na cidade. Filha de dois escritores, ela tem uma imaginação incomum e vence Jesse na corrida, tornando-se a mais veloz. A antipatia inicial é vencida e a dupla torna-se inseparável. Juntando suas inocentes imaginações infantis, eles criam um mundo somente deles na floresta, o reino de Terabítia, no qual são reis. Nesse lugar, eles aprendem a lidar com as adversidades que a vida lhes impõe e aprendem valores que vão além da amizade sincera que surge entre os protagonistas.

    Estréia na direção do animador Gabor Csupo (produtor dos desenhos da série Os Anjinhos), Ponte Para Terabítia é um tanto quanto irregular, mas a sensibilidade na direção e a química entre os protagonistas são capazes de elevar em muito a qualidade da produção. O roteiro guarda algumas surpresas preciosas, algumas delas melancólicas demais para um público mais infantil. O filme encara algumas questões adultas de frente, como a morte e a dificuldade de se crescer numa família com sérios problemas financeiros. Ao mesmo tempo, a produção explora a visão inocente do mundo que se tem quando é criança. Os efeitos especiais usados para dar forma ao mundo imaginado pelas crianças também ajudam: caprichados, por vezes assustadores, foram desenvolvidos pelo estúdio Weta Digital, de Peter Jackson. No entanto, são os acontecimentos na vida real dos protagonistas que merecem mais destaque na produção. Tratados de uma maneira extremamente sensível e real, são os momentos que mais conquistam o espectador.