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    POSSESSÃO (2012)

    Fime não traz nada de novo ao universo de produções sobre exorcismo; falta inovação
    Por Felipe Minozzi
    27/10/2012

    Mais uma vez o termo “baseado em história real” é usado para atrair desavisados às salas de cinema. Até se pode embarcar na onda dos roteiristas de Possessão, mas a verdade é que nunca houve uma linda garotinha que engolia mariposas, via dedos saindo de sua garganta e fazia ventar apenas com o olhar.

    O enredo, supostamente verídico, se refere a um armário de vinhos comprado no site eBay, levado para os Estados Unidos por uma sobrevivente do Holocausto logo após a Segunda Guerra Mundial.

    O móvel teria trazido consequências terríveis para seus compradores, segundo matéria publicada pelo jornal Los Angeles Times em 2004. O objeto nefasto, de acordo com o folclore judeu, seria a prisão de um espírito maligno possuidor chamado Dybbuk.

    No filme a relíquia amaldiçoada acaba nas mãos da jovem Emily (Natasha Calis), que a compra numa liquidação de garagem. O Dybbuk logo encontra novo hospedeiro na inocente menina. Ela, como a Regan de O Exorcista, começa a exibir comportamento violento e antissocial, ou seja, nada de novo no front.

    A única novidade aqui é que o demônio não é combatido por um padre católico, mas sim pelo cantor de reggae judeu Matisyahu, que interpreta Tzadok, o exorcista menos carismático já visto nas telonas. O personagem surge no filme cantarolando Rastaman Chant, música que faz parte de seu repertório. Quem diria que o Dybbuk encontraria em um judeu rastafari para confrotá-lo...

    O terror, dirigido pelo dinamarquês Ole Bornedal, não aposta no susto, mas sim nos ótimos e nojentos efeitos visuais que, apesar de poucos, são o ponto alto do filme. Cortesia do PhD no assunto Sam Raimi, diretor da trilogia original do Homem-Aranha e produtor do filme. O problema é que depois de Jogos Mortais, Planeta Terror e outros longas sanguinolentos, fica difícil para Possessão ganhar espaço na memória do público.

    Tirando os quipás e inscrições hebraicas, o roteiro segue a mesma evolução da maioria dos filmes de exorcismo, o que o torna extremamente previsível - há tempo o gênero carece de inovação. Neste contexto, Possessão é mais um filme que mostra uma garotinha sendo possuída por um espírito do mal. Talvez se os Dybbuks frequentassem mais as salas de cinema veriam que a tática não funciona mais; já estamos anestesiados faz tempo.