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    PRA LÁ DO MUNDO

    Documentário revela vilarejo escondido na Chapada Diamantina
    Por Roberto Guerra
    18/06/2013

    Pra lá do mundo, escondido a mil metros de altitude na Chapada Diamantina, está um daqueles lugares fascinantes que encarnam a diversidade brasileira. Trata-se do Vale do Capão, lugarejo que virou refúgio de homens e mulheres de várias partes do mundo que romperam com a vida na cidade grande. As belezas naturais do local, essa gente e sua relação com os nativos é o que documenta com capricho este filme de estreia de Roberto Studart.

    Misturado a tomadas belíssimas da localidade, personagens interessantes vão sendo reveladas. Como Zezito Duarte, engenheiro que abandonou a carreira promissora para fixar residência no local. O mesmo fez Marta, ex-funcionária de Petrobras que deixou Salvador pra trás e se embrenhou em Capão em busca de uma vida alternativa. "Trabalhava num lugar que não gostava para ganhar dinheiro e pagar pessoas para fazerem as coisas de que gostava. Tinha algo de errado ali", diz ela a certa altura.

    Impossível não parar e refletir diante dessa e de outras declarações contidas no filme. Felizmente, Studart soube pontuar o longa com respiros para que o público encontrasse espaço para pensar. Esses hiatos vêm com as tomadas que contemplam as belas paisagens do lugar, justamente a natureza exuberante que encantou e operou mudança na vida dessas pessoas.

    Chama a atenção também a precisa trilha sonora incidental. No primeiro quarto do filme busca-se explorar o misticismo envolto na localidade e a música, bem inserida, conduz como precisão o espectador ao clima proposto. Mais adiante, quando a produção explora os conflitos ideológicos entre nativos e moradores vindos de fora, a trilha vai por outra toada marcando os diferentes atos do filme.

    Grande missão de um documentarista é equilibrar forças e isso se dá, definitivamente, pela montagem. Há em Pra lá do Mundo depoimentos de pessoas que preferiam que o local ficasse mergulhado no atraso, sem luz, água encanada e internet. No contraponto, outros, como o médico Áureo Augusto, um dos residentes que vieram de fora, defendem os avanços para a comunidade. Esta vive hoje as beneses e problemas típicos de pequenas cidades que viraram destino turistico.  

    Roberto Studart, apreciador da região, resolveu não tomar partido e abriu espaço para as vozes locais falarem. Gente como o carismático seu Dozinho, nascido e criado na região, que como ninguém acompanhou as transformações locais. Formal no formato, Pra lá do Mundo  cumpre com eficiência o que se propõe: apresenta ao público o belo lugar, revela seus conflitos internos e leva o espectador a refletir sobre a vida moderna.