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    PRESSÁGIOS DE UM CRIME

    Diretor brasileiro estreia em Hollywood com suspense morno
    Por Edu Fernandes
    24/02/2016

    A proposta original para Presságios De Um Crime era ser uma sequência de Seven - Os Sete Crimes Capitais (1995), na qual o detetive Somerset (Morgan Freeman) ganha poderes psíquicos. Foi necessária a intervenção de David Fincher, diretor do longa original, para a ideia de jerico ser abandonada. Assim, o roteiro tornou-se uma história independente, mas que levou anos até sua concretização na tela grande.

    O tal investigador psíquico é Dr. John Clancy (Anthony Hopkins, de Jogada De Mestre), médico de formação que construiu uma carreira ao usar seus poderes para solucionar casos para o FBI. Desde a morte de sua filha (Autumn Dial, de American Pie: O Reencontro) por leucemia, ele se isolou. Cabe ao agente Joe Merriweather (Jeffrey Dean Morgan, Watchmen - O Filme) entrar em contato para ele voltar à ativa depois que um matador (Colin Farrell, de O Vingador Do Futuro) começou uma série de assassinatos, cujas vítimas aparentemente não partilham de qualquer semelhança.

    Ao tocar pessoas ou objetos, Clancy tem visões e essa é a ferramenta que usa nas investigações. Ele aceira o caso ao perceber que seu amigo e sua parceira (Abbie Cornish, de Robocop) correm grandes riscos enquanto o matador estiver à solta.

    Foram as visões do protagonista que atraíram Afonso Poyart para o projeto. 2 Coelhos (2012), seu filme de estreia, chamou a atenção de produtores estrangeiros, o que o levou para Hollywood a tempo de entrar em contato com o roteiro que estava de molho. Entre várias propostas de filmes com cenas explosivas como vistas em seu trabalho anterior, o cineasta brasileiro optou por uma história de mistério na qual pudesse fazer experimentos visuais.

    São nesses momentos que a assinatura do diretor fica evidente. As cenas de Presságios De Um Crime trazem o bullet time e a movimentação dinâmica da câmera que foram observadas no ótimo 2 Coelhos.

    Se o visual é empolgante e a premissa do filme interessante, é o próprio roteiro que se prova o ponto fraco do longa. Depois de uma reviravolta na metade do enredo, a construção sutil do mistério é deixada de lada e a história passa a avançar aos solavancos. Não fossem as ligações imagéticas das visões de Clancy e o elenco, poderia facilmente se tratar de dois filmes bem diferentes.

    A investigação da primeira metade sai de cena para um tom de perseguição e tiroteio. É normal que o desfecho seja mais animado do que sua preparação em um thriller, mas o tom precisa ser o mesmo, ou sua mudança deve ser gradual. Com uma alteração assim, fica mais difícil do espectador comprar o que se passa na tela.