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    PRINCESAS

    Por Celso Sabadin
    25/05/2007

    Uma garotinha entra numa farmácia e tenta ver seu peso numa balança. Não consegue. A prostituta Caye olha para a menina e lhe diz, sorrindo: "Zero quilos? Isso significa que você é um anjo". Atrás de Caye, uma outra mulher desfaz a poesia: "Não é isso. É que esta balança funciona com moedas". Desfazer a poesia. Talvez seja este o tema principal do ótimo Princesas, do espanhol Fernando León de Aranoa, o mesmo de Segunda-Feira ao Sol.

    O roteiro, também de Aranoa, fala de Caye (Candela Peña, de Da Cama para a Fama), mulher de seus 30 anos que se prostitui sem o conhecimento de sua família de classe média. Nas horas vagas, ela se encontra com outras colegas de profissão num salão de beleza situado numa praça repleta de prostitutas imigrantes e expatriadas. A grande oferta de "negras", como elas dizem, derrubam os preços do mercado. E novamente o cinema europeu enfoca o tema da imigração e seus históricos e intermináveis conflitos. Porém, mais que a imigração, Princesas prefere abordar a amizade que Caye começa a travar com Zulema (a porto-riquenha Micaela Nevárez, premiada com o Goya de Atriz Revelação), justamente uma das "negras" tão denegridas pelas profissionais locais.

    É a partir desta relação que tem início uma sucessão de poesias, sonhos e esperanças partidas. Da mesma forma que a garotinha da balança não é um anjo, mas apenas alguém sem moedas no bolso, Zulema percebe que abandonar a família na América Central em troca da esperança do euro fácil é mais um pesadelo que um sonho. Caye encontrou estabilidade financeira na profissão, mas não bate nem nas traves quando o assunto é amor. Ela sonha em transformar as economias de sua vida em duas frias próteses de silicone e até a mãe de Caye - uma triste personagem - mais cedo ou mais tarde terá de desconstruir o falso castelo que ergueu nas nuvens de sua imaginação. Princesas é um grande "cair de fichas", no qual, pouco a pouco, cada um de seus protagonistas é obrigado a enfrentar a realidade. Que pode ser dura e cruel, mas é condição essencial para abrir os olhos e tentar - pelo menos tentar - os caminhos de uma vida melhor.

    Apesar da crueldade do tema, o filme é dirigido com sensibilidade, fluidez, graça e até momentos de bom humor, o que lhe rendeu nove indicações ao Goya e vários prêmios nacionais e internacionais.