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    PROCURA-SE UM AMIGO PARA O FIM DO MUNDO

    Filme começa como uma crítica mordaz à sociedade e acaba como uma comédia romântica clichê<br />
    Por Daniel Reininger
    29/08/2012

    O fim do mundo é o cenário ideal para as pessoas cometerem as maiores loucuras de suas vidas, frutos de suas fantasias mais obscuras. É também uma grande oportunidade para reatar um velho romance ou começar um novo. Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo busca mostrar exatamente isso, ao acompanhar os últimos 14 dias de vida na Terra compartilhados por dois desconhecidos, interpretados por Steve Carell e Keira Knightley, e sua jornada de autoconhecimento e de acerto de contas com o passado.

    Este não é o primeiro filme, muito menos o mais original, a mostrar como a sociedade encararia o apocalipse. Melancolia, de Lars Von Trier, é um exemplo de como fazer isso bem feito, assim como o mais antigo A Última Noite. Fugindo ao ambiente das comparações, a diretora Lorene Scafaria (Nick & Norah - Uma Noite De Amor E Música) pega esse conceito e o transforma em um interessante road movie.

    Na trama, Dodge (Carell) é um vendedor de seguros que falhou em alcançar seus sonhos. Para piorar, sua mulher o abandona para ficar com o amante após o fracasso da última esperança de salvação da Terra, uma missão espacial que deveria interceptar o gigantesco asteroide, bem a la Armageddon (aquele com Bruce Willis e música do Aerosmith). Sem rumo, o personagem continua com seu dia-a-dia monótono à espera do fim.

    Tudo muda quando seu caminho cruza com o de Penny (Knightley), vizinha jovem, interessante, livre e com uma paixão louca por discos de vinil, que está em crise em seu relacionamento e deprimida por ter perdido o último voo comercial que a permitiria rever sua família. Depois de chorar as mágoas, ela devolve a Dodge três anos de correspondências entregues na caixa postal errada, entre as quais está uma carta enviada pelo amor de adolescência dele há apenas três meses. Está armada a aventura mais inesperada possível, tudo graças ao apocalipse iminente.

    Não é difícil perceber, logo de cara, que o filme não pretende tratar do fim do mundo (em nenhum momento o asteroide é mostrado), nem do amor impossível, mas sim da banalidade da vida humana, uma alegoria à futilidade da busca por status e do cumprimento das expectativas de uma sociedade cada vez mais consumista e rasa.

    Impossível não refletir sobre quão irônico é o fato das pessoas decidirem viver sem medos, resolverem questões do passado ou fazerem tudo o que sempre sonharam, como largar empregos sem sentido e relacionamentos falidos, apenas quando estão diante da iminência da destruição completa de tudo que conhecem. Existe aqui uma semente de crítica, mas nada mais aprofundado, afinal, trata-se de uma típica produção hollywoodiana.

    Só que o cinismo do começo do filme, que inclui a festa de uma pacata famíia suburbana que se torna uma orgia regada a heroína, perde o fôlego e o tom crítico na segunda metade. Personagens tomam decisões inexplicáveis, que parecem até terem sido impostas para transformar o longa em uma comédia romântica e fazer a audiência chorar a qualquer custo, comprometendo a história e sua credibilidade. Sorte que o final chega a tempo de manter a boa impressão inicial.

    Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo deixa de cumprir a expectativa criada de início e fica claro que havia potencial para algo muito melhor. Ainda assim, trata-se de um longa interessante que vai dividir opiniões, deixar muita gente deprimida na saída do cinema e, quem sabe, resultar em boas discussões.