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    PROJETO GEMINI

    Por Daniel Reininger
    09/10/2019

    Projeto Gemini é um conto clássico do bem contra o mal que se leva a sério de forma exagerada e depende demais do protagonista Will Smith (Depois Da Terra). O filme de Ang Lee ( As Aventuras De Pi) chama atenção pela temática, publicidade em cima da tecnologia e, de fato, tem momentos interessantes, mas a verdade é que o roteiro fraco e os diálogos sem profundidade fazem dessa obra algo totalmente genérico.

    Henry Brogan (Will Smith) é o melhor atirador de elite do mundo, mas está ficando velho e decide se aposentar aos 51 anos. E por uma série de eventos não relacionados e sem sentido, o assassino acaba descobrindo que seu último alvo não era um terrorista e isso faz com que seus chefes decidam matá-lo, com a ajuda da Gemini, empresa de defesa particular que também cria clones. E adivinha de quem é o clone mais avançado do grupo? Sim, a versão 28 anos mais jovem do protagonista.

    O longa oferece a chance de testemunhar um astro (Will Smith) enfrentar uma versão mais jovem de si gerada por computador com tecnologia de ponta. O problema é que na realidade o filme é muito fraco, com roteiro previsível e sem graça.

    Esses fatos explicam porque o projeto demorou anos para sair do papel e o motivo do protagonista ter passado pelas mãos de tantos atores, enquanto a justificativa para os adiamentos sempre recaia na tecnologia, o que agora parece mesmo uma desculpa esfarrapada agora que o filme chegou.

    Curiosamente, a tecnologia aqui não ajuda tanto quanto Lee imaginou que ajudaria. A taxa de quadros a 60 frames por segundo, o dobro do habitual, elimina aquele ar de cinema e o substitui pela nitidez irritante de aparelhos de TV de alta definição. O resultado é uma hiper-realidade, que nos faz perceber falhas em cada detalhe dos figurinos, cenários, maquiagem e causa uma estranheza difícil de explicar. Sem falar que faz a cenas filmadas em tela verde parecerem fora de sincronia.

    No fim, a inovação 3D e de captação atrapalham, ao contrário de, por exemplo, Avatar, que embora tenha uma história simples também, é realmente um marco tecnológico lindo de se ver.

    Tudo isso tira a atenção do protagonista e da história, o que só aprofunda os problemas, tendo em vista a qualidade do roteiro. O texto contém inúmeras conclusões preguiçosas, saltos de lógica inexplicáveis, coincidências e situações embaraçosas. Além de um vilão caricato interpretado por Clive Owen (Rei Arthur), um protagonista sem carisma e coadjuvantes interessantes, mas sem espaço para desenvolvimento.

    Existem bons momentos, claro, como uma perseguição em Cartagena, Colombia, e uma luta com direito a discussão filosófica (mesmo que rasa) nas catacumbas de Budapeste e, graças a esses dois momentos, a ida ao cinema não é totalmente desperdiçada.

    Na realidade, minha expectativa para esse filme estava muito, muito baixa e, pelos trailers, acreditava se tratar de uma bomba. Para minha surpresa, é só um filme genérico que será esquecido em questão de dias, mas certamente não é tão fraco quanto eu esperava. O que já é algo. Dito isso, a sensação de potencial desperdiçado é gigantesca.