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    PUTZ! A COISA TÁ FEIA

    Por Maria Clara Matos
    05/10/2007

    Ratos são criaturas asquerosas e o terror de muitas mulheres. O cinema parece não concordar muito com essa definição e transforma esses pequeninos animais em personagens que esbanjam simpatia. O personagem principal de O Pequeno Stuart Little comoveu ao ser adotado por uma família e ser rejeitado por seu "novo" irmão; Remy, o ratinho cozinheiro de Ratatouille, diverte com suas peripécias e habilidades culinárias. Agora, a animação Putz! A Coisa Tá Feia traz às telas o personagem Ratso, ratinho não tão carismático e original como os outros de sua espécie.

    O filme é uma adaptação do conto de Hans Christian Andersen, O Patinho Feio, e revela às novas gerações uma versão mais moderna e irreverente do clássico. Ratso (dublado por Tadeu Mello na versão brasileira) é um rato ganancioso que busca dinheiro e fama, promovendo shows às custas do vermezinho Wesley, que seria a maior minhoca do mundo. O grande plano de Ratso é poder realizar seu show em um parque de diversões. Assim, os companheiros partem para o sonhado parque. Mas, eis que no meio do caminho, Ratso se depara com uma estranha criatura, um patinho muito feio, que o adotará como "mãe". A bizarrice de Feio (Márcio Garcia) torna-o a mais nova atração do show, promovido por Ratso. O que o ganancioso rato não previa eram as transformações pelas quais Feio passaria e o amor que surgiria entre ambos.

    Putz! A Coisa Tá Feia é animação em 3-D de Michael Hegner, o mesmo de Mamãe, Virei um Peixe, e de Karsten Kiilerich, vencedor do Oscar de Melhor Curta-Metragem de animação por When Life Departs, em 1999. O longa retoma a moral do conto de que a aparência não é o mais importante nas relações verdadeiras e ser diferente pode ser muito bom. No entanto, histórias paralelas, como a perseguição de Ratso por uma suposta gangue de ratos e o amor que nasce entre Feio e a patinha Jessé, não são suficientes para a composição de um roteiro criativo e inovador. A sensação é a de que a animação limita-se à trama do conto de fadas, repetindo o que já foi dito.

    A mesma sensação de mesmice pode ser estendida aos personagens. Eles não possuem características instigantes, originais, que possam criar um universo de identificação. Nada que se compare ao carismático Nemo, de Procurando Nemo, ao desengonçado Sully, de Monstros S.A., ou a folgada e engraçada preguiça Sid, de A Era do Gelo.

    Putz! A Coisa Tá Feia moderniza o famoso conto do patinho feio e faz com que muitas crianças, que não tiveram a oportunidade, conheçam e se encantem com a história. Mas a qualidade da animação, a concepção do roteiro e os personagens com pouco carisma deixam muito a desejar.