QUARTETO FANTÁSTICO

QUARTETO FANTÁSTICO

(Fantastic Four)

2015 , 106 MIN.

12 anos

Gênero: Aventura

Estréia: 06/08/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Josh Trank

    Equipe técnica

    Roteiro: Simon Kinberg

    Produção: Gregory Goodman, Hutch Parker, Matthew Vaughn, Simon Kinberg

    Fotografia: Matthew Jensen

    Trilha Sonora: Marco Beltrami, Philip Glass

    Estúdio: Genre Films, Twentieth Century Fox Film Corporation

    Montador: Elliot Greenberg

    Distribuidora: Fox Film

    Elenco

    Adam Fristoe, Anthony Ramsey, Anthony Reynolds, Ben VanderMey, Chet Hanks, Christopher Heskey, Deneen Tyler, Don Yesso, Evan Hannemann, Gretchen Koerner, Gus Rhodes, Han Soto, Jamie Bell, Jane Rumbaua, Jaylen Moore, Jerrad Vunovich, Jodi Lyn Brockton, John L. Armijo, Kate Mara, Lance E. Nichols, Marco St. John, Mary Rachel Dudley, Mary-Pat Green, Melissa McCurley, Michael B. Jordan, Michael D. Anglin, Miles Teller, Owen Judge, Patrick Kearns, Reg E. Cathey, Shauna Rappold, Sue-Lynn Ansari, Tim Blake Nelson, Toby Kebbell, Wayne Pére

  • Crítica

    05/08/2015 15h24

    Por Daniel Reininger

    O novo filme de Josh Trank não é tão ruim assim. É problemático, tedioso e definitivamente não deveria se chamar Quarteto Fantástico, mas poderia ser pior – sempre pode. Se fosse uma produção com outro nome, sobre adolescentes gênios que fazem besteira e ganham poderes, seria um filme até ok, daquele tipo capaz de passar batido, e ninguém lembraria que existiu, porém não poderia ser considerado catastrófico. O problema é que a Fox o nomeou de Quarteto Fantástico e a trama apresenta Sue Storm, Johnny Storm, Dr. Reed e Ben contra Dr. Doom, logo é impossível não criticá-lo pelo que tenta ser e não só pelo que é.

    Oficialmente esse é o reboot do longa de 2005 que não agradou. Mesmo lançado na época de X-Men 2, Homem-Aranha 2 e outras adaptações bem-sucedidas de quadrinhos nos anos 2000, o longa de Tim Story conseguiu fazer tudo que não deveria e nos lembrou do motivo para Hollywood ter demorado tanto para adaptar histórias tão boas.

    O triste é que esse remake de 2015 não salva o nome da equipe e repete o mesmo erro: Em época de Guardiões Da Galáxia e X-Men: Dias De Um Futuro Esquecido, aparece Quarteto Fantástico para estragar tudo.

    A trama, apesar de baseada na versão Ultimate, não chega a ser problemática: Reed Richards (Miles Teller) é um gênio desde criança e sua meta é inventar o teletransporte. Ainda garoto, é capaz de mandar objetos para outra dimensão, apesar de achar que os envia para outras partes do planeta. Anos depois, recebe a oportunidade de fazer exatamente o mesmo trabalho para uma fundação científica. Ele se junta a Victor Von Doom (Toby Kebbell), Sue (Kate Mara) e Johnny Storm (Michael B. Jordan) e inventa uma maneira de humanos irem e voltarem de outro plano em segurança.

    A corporação por trás do projeto fica feliz com a oportunidade de novos recursos e tenta roubar o sonhos dos jovens gênios, porém Reed, Doom e Johnny não aceitam seu destino e em questão de horas (nem esperam as coisas serem definidas de fato) decidem usar a máquina ilegalmente para escreverem seus nomes na história. Porque "é claro" que o envio de pessoas de forma clandestina levaria ao reconhecimento desejado e não resultaria apenas na prisão dos rapazes. Pior, do nada, eles ainda chamam Ben (Jamie Bell), que nem no projeto está, (sim, ignoram Sue), e viajam para outro plano de existência.

    Você deve estar pensando que essa é apenas a "premissa" e não deve demorar tanto para as coisas se tornarem "Fantásticas" – mas não – grande parte do filme trata apenas da construção do aparelho e tenta (e falha) criar uma relação entre os personagens. Quarteto sempre foi sobre família e entendo a escolha do diretor Josh Trank de focar no desenvolvimento dos personagens, só precisava ter feito isso direito.

    Cada um deles tem personalidade simplória, sem profundidade que, para piorar, combina com seus poderes. O mais triste é que os protagonistas nem mesmo parecem ser amigos, muito menos uma família, e o espectador tem dificuldades para se importar com qualquer um deles. Pior, a maior tensão entre Reed e Doom até então é a paixão do futuro vilão por Sue – que, por sinal, não parece assim tão interessada no Senhor Fantástico – seu marido nos quadrinhos. Então a trama arrastada também fica sem sentido.

    Falando no vilão, Dr. Doom tem um visual ridículo, bem distante das HQs – mas esse nem é o problema – e sim as escolhas do pessoal da produção, que mandou mal em todos os aspectos do estranho figurino. Sem falar que as motivações do antagonista são patéticas, para dizer o mínimo, e seu plano só não é mais óbvio porque não dá. A atuação de Kebbell deixa bastante a desejar e ainda piora no final. O personagem é muito mal utilizado ao longo de toda a narrativa e o filme seria melhor sem ele (sério).

    Não é só Doom o problema. Na verdade, o fato dos protagonistas ganharem poderes não melhora em nada a trama, nem mesmo transforma o filme genérico apresentado até então em "Quarteto Fantástico", apesar dos poderes de Sue, Johnny e Coisa funcionarem na telona (muito melhor do que em 2005). Não vou entrar em detalhes sobre o que acontece a partir daí – basta dizer que Trank perdeu a mão feio e parecia não saber como voltar atrás para resolver as coisas. O final é prova definitiva disso.

    Visualmente o longa também deixa a desejar. Apesar do orçamento de US$ 122 milhões, a narrativa se passa, na maior parte do tempo, em galpões secretos com geringonças pouco interessantes. Quando poderia empolgar, ao mostrar a outra dimensão, o exagero de CGI atrapalha, tudo fica escuro e é difícil acreditar que o local é real – não por ser esquisito, mas por ser tão artificial ao ponto de nos lembrar constantemente de que aquilo tudo foi criado em um computador.

    É triste ver Trank, responsável pelo interessante Poder Sem Limites, se atrapalhar tanto. Ele reuniu grandes atores para compor a equipe, mas os utiliza mal ao ponto de transformar seus personagens em caricaturas desinteressantes. Além disso, o longa passa tempo demais preparando terreno e quando as coisas parecem que vão acontecer, o filme acaba, sem mistérios ou grandes conflitos. Também não espere a tão comentada ligação com o universo dos X-Men.

    Apesar dos problemas de ritmo, construção de personagem e roteiro, um filme genérico similar poderia ter uma nota melhor (talvez umas quatro ou cinco estrelas de dez, quem sabe), porém, o peso de chamar esse longa de Quarteto Fantástico sem saber como adaptar esses personagens ao cinema transforma, sim, esse longa em uma catástrofe. Talvez, esse grupo de heróis dos anos 60 não tenha lugar nos cinemas no século XXI ou, talvez, precise de alguém capaz de entendê-los profundamente para trazê-los à vida. Enquanto isso não acontece, basta dizer que Stan Lee não fez participação no longa – seria vergonha?



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