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    QUE ESTRANHO CHAMAR-SE FEDERICO!

    Encantador, recorte revela o homem por trás da câmera
    Por Ana Carolina Addario
    04/06/2014

    Há duas décadas, o mundo perdeu a inventividade do cineasta Federico Fellini, que produziu mais de vinte títulos durante sua carreira e é até hoje uma das maiores referências do cinema italiano. Quiçá mundial. Sua trajetória é obviamente merecedora de reconstituição. A ideia fica ainda melhor quando o registro é realizado pelo melhor amigo do diretor, o também cineasta Ettore Scola. Impossível imaginar um recorte mais inspirado.

    Apresentado no festival de Veneza deste ano, Que Estranho Chamar-se Federico! tem o tom de homenagem esperado de uma história contada pela ótica de um grande amigo - e grande cineasta também. Com imagens de arquivo e uma retrospectiva desde a estreia do cineasta em 1939, como jovem desenhista, até seu quinto Oscar em 1993, o filme é constituído de fragmentos, impressões e momentos reconstruídos através de imagens ora atuadas, ora reais.

    A trajetória do cineasta é contada por um narrador, que transita entre os cenários reconstituídos a partir da chegada do então jovem Fellini, vindo da pequena cidade natal Rimini para a vida em Roma para trabalhar na redação do jornal satírico Marc'Aurelio. Ingênuo e talentoso, ele começa sua carreira como autor e cartunista do periódico, onde floresce seu talento para contar e ilustrar histórias.

    No primeiro momento, o filme é baseado integralmente em atuações, supõe-se então que restaram poucos registros de sua passagem pelo Marc'Aurelio. A reconstrução do ambiente criativo no jornal revela com humor a natureza do cineasta e é repleta de cenas divertidas, que dão bom ritmo ao filme. À medida que sua carreira se desenvolve, as imagens de arquivo passam a ser inseridas com muito cuidado por Scola, que consegue imprimir seu ponto de vista sobre a transformação do garoto de 19 anos do início da história para o consagrado diretor. Jovem brilhante, homem brilhante.

    Ainda que a evolução fique clara, há pequenas lacunas na jornada de Fellini ao longo do filme, que começa com a aparente intenção de revelar a trajetória profissional do direitor e ganha um tom mais pessoal. A mudança reflete o fato de Fellini e Scola terem se conhecido 9 anos após a chegada do Maestro em Roma, ou seja, do início do filme. Não prejudica, mas vale alertar que o relato ganha outra perspectiva: se no início, as características do diretor são pouco definidas, da metade para a frente é o aspecto profissional que é menos aprofundado. Mas é neste momento em que as melhores histórias começam a surgir.

    A homenagem é valiosa. Como não se imaginar vagando de carro com Fellini e Scola, em busca de inspiração pelas ruas de Roma? Ou ouvindo as boas mentiras que ele contava para "melhorar" a vida real? Para quem já gosta do diretor, este filme é uma oportunidade para conhecer histórias e característas do homem longe do set de filmagem. E para quem pouco sabe sobre sua carreira, certamente despertará o desejo de conhecer as obras que a mente fértil e criativa de Fellini criou. Absolutamente inspirador.