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    QUEBRANDO O TABU

    Com FHC como mestre de cerimônias, documentário é insosso e tem ranço de filme institucional<br />
    Por Celso Sabadin
    01/06/2011

    Não é exatamente um documentário. É mais um, digamos, “filme-tese”. Quase uma peça publicitária. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso levanta a bandeira da descriminalização do usuário de drogas e usa o cinema como uma de suas armas nesta luta. Sem problemas. Um filme não precisa ser parcial e tem, sim, o direito de levantar bandeiras. Mas não precisava ser tão superficial e insosso como este Quebrando o Tabu.

    Além de criar o argumento, Fernando Henrique também faz as vezes de mestre de cerimônias do filme. Uma espécie de âncora que conduz a narrativa permeada de depoimentos de gente de peso. Entre eles o médico Drauzio Varella, o escritor Paulo Coelho, e dois ex-presidentes norte-americanos: Jimmy Carter e Bill Clinton.

    Certamente o respeito de FHC na comunidade internacional abriu portas importantes para o filme. Mas é lamentável que o acesso a figuras tão interessantes tenha resultado apenas num alinhavo de depoimentos de conteúdos em sua maioria fracos, até primários, que muito pouco, ou quase nada, acrescentam a tudo aquilo que a mídia já cansou de debater sobre o assunto.

    Chega a ser patética a confissão de Cardoso, logo nas primeiras cenas, onde diz não ter ido a fundo no problema quando era presidente da República simplesmente porque não era bem informado sobre o assunto.

    A trilha sonora é bem elaborada, rica, com brilhantes orquestrações e arranjos, mas mal utilizada. É vibrante e criativa, mas usada de forma insistente, quase intermitente, inclusive sobre as vozes dos depoentes, como que querendo preencher o vazio e o repetitivo das palavras dos entrevistados.

    Burocrático e sem criatividade, com um roteiro assinado por nada menos que sete (!) profissionais, Quebrando o Tabu, além de tudo, não quebra nenhum tabu. Tem aquele sabor rançoso de filme institucional oficial feito sob encomenda.