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    QUEBRANDO REGRAS

    Por Celso Sabadin
    15/08/2008

    Que bom! Faltam poucos meses para terminar a era Bush, uma das mais truculentas das últimas décadas. Infelizmente, porém, a prepotência de todo um estilo de governar fatalmente acabou se refletindo no mundo das artes, gerando obras tão fascistas e execráveis como o filme Quebrando Regras, que chega, infelizmente, ao nosso circuito exibidor.

    Fraquinha, a história fala de Jake (o texano, como Bush, Sean Farris), um garoto que sai com a mãe e o irmão mais novo do interior dos EUA para tentar vida nova na cidade de Orlando, famosa pelos seus parques temáticos. Atormentado pela morte do pai - da qual se julga culpado -, Jake é o popular "pavio curto" e se matricula na academia de Roqua (Djimon Hounsou, de Diamante de Sangue) para tentar domar seus instintos agressivos. Até, aí, tudo bem. Direcionado ao público adolescente, Quebrando Regras se desenvolve em cima de clichês pra lá de desgastados em filmes como Karatê Kid, Rocky (até o personagem se chama Roqua) e inúmeros outros. Este não seria o problema. Intolerável mesmo é a mensagem que o filme passa aos jovens, vendendo a idéia que o correto mesmo é partir pra porrada em qualquer circunstância, literalmente quebrando a cara de qualquer agressor. Desde que você seja o mais forte. Basta que, para isso, se encontre uma desculpa que possa validar a extrema violência. Do tipo "eles tinham armas de destruição em massa" ou coisa parecida.

    Também chama atenção no filme um fato intrigante: a maneira pela qual as lutas violentas entre os personagens - sempre escolares - são insistentemente gravadas em câmeras de vídeo ou celulares, para posteriormente serem disponibilizadas na internet, transformando seus vencedores em ídolos populares do dia para a noite. Não tenho conhecimento se isto realmente está (assustadoramente) acontecendo nas escolas americanas ou se é pura invenção do filme. De qualquer maneira, Quebrando Regras faturou invejáveis US$ 25 milhões nas bilheterias norte-americanas, provando novamente que Hitler não morreu.

    Uma curiosidade: o personagem Roqua tem em sua academia uma grande bandeira brasileira.