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    RAINHAS DO CRIME

    Por Daniel Reininger
    07/08/2019

    Rainhas Do Crime é baseada na série de HQs da Vertigo que acompanha três mulheres que assumem o comando da máfia após seus maridos serem presos. Em sua adaptação para a tela grande, The Kitchen traz Melissa McCarthy, Tiffany Haddish e Elisabeth Moss, atrizes consagradas e com atitude de sobra.

    A roteirista Andrea Berloff (Straight Outta Compton - A História Do N.W.a.) assume o comando dessa história, mas apesar do tema incrível e personagens poderosas, o filme é morno e é costante a falta de peso. É sem dúvida uma história interessante, ótima opção para a temporada de poucas estreias e boa adição ao gênero de drama criminal, mas infelizmente o longa não é capaz de impactar.

    Ambientado no bairro de Hell's Kitchen, Nova York, no ano de 1978, o filme apresenta três esposas de mafiosos que lutam para sobreviver após os maridos serem presos e a máfia não ajudá-las a pagar as contas. Elas logo percebem que podem assumir o comando da máfia irlandesa, provando que são capazes de tudo, desde planejar um crime organizado até tirar toda competição do mapa.

    Assim como a série de TV Good Girls, o filme é movido pela ideia de mulheres saindo de suas vidas comuns e se tornando criminosas e, também aqui, trata essa ideia como se fosse algo muito fora da caixa. O longa tem a vibe do programa de TV, só um pouco mais sombrio, mas nunca encontra o balanço ideal para a história funcionar de forma redonda na telona.

    O longa faz uma reconstrução impressionante de Manhattan de 1978. As ruas cheias de lixo, os vagões de metrô repletos de graffiti, o neon da Times Square. A cidade é dividida em tribos e áreas de influência dos criminosos, mulheres não encontram emprego simplesmente por serem mães e cantadas agressivas na rua são padrão. Além disso, fica claro que Nova York estava à beira da mudança econômica que alterou as coisas na década de 1980 e 90.

    O cenário é perfeito e isso é muito importante num longa desses. A trilha sonora é marcante, porém, é a falta de sentir que aqueles personagens são pessoas reais o fator determinando para o longa não decolar realmente. É um desperdício ver um roteiro tão bom e um elenco desse calibre não ser aproveitado ao máximo. Aliás, em termos de atuação, os atores mandam bem, o que já é esperado para os nomes peso presentes da obra.

    O longa é interessante e inteligente o suficiente para valorizar o poder feminino, sem relacioná-lo apenas ao crime, mas raramente sentimos os sacrifícios feitos por essas mulheres por embarcarem em sua nova vida. Um pouco mais de peso e aprofundamento criaria uma intensa história de crime e punição. Os ingredientes principais estão lá, só falta o ingrediente final, que faria tudo funcionar perfeitamente.