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    REDENTOR

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    Um homem morto no meio de um monte de lixo conta como morreu. Quantos filmes com narração póstuma você já viu? Provavelmente vários - um por semana, até. Mas aposto que nem todos são como Redentor, longa de estréia de Cláudio Torres. O filme, repleto de cenas bizarras e efeitos especiais, é um épico religioso. Mas também é uma comédia de humor negro, além de ter romance e suspense. Confuso? No papel (ou tela de computador, como é nosso caso), talvez, mas o roteiro - escrito a três mãos, de Elena Soárez, Fernanda Torres e Cláudio Torres - é muito bem resolvido.

    O protagonista da história é Célio (Pedro Cardoso). Rapaz que cresceu em família de classe média, viu o sonho da casa própria de seu pai (vivido por Fernando Torres) sendo destruído quando a empreiteira responsável pela construção do prédio onde comprara um apartamento aplicara um golpe em centenas de pessoas. Por coincidência, o dono da empresa (José Wilker) era pai de um amigo de Célio, Otávio. Mas tudo isso acontecera na infância do protagonista: no tempo presente, quinze anos depois, ele reencontra Otávio (Miguel Falabella) quando escreve uma matéria sobre a ocupação do tal prédio. Por cinco milhões de dólares, o jornalista aceita ser laranja de Otávio, mas ele enlouquece. Especialmente depois que tem a alucinação de ter visto Deus. A partir daí, o "Todo Poderoso" torna-se mais um personagem na vida de Célio.

    O roteiro de Redentor levanta questões que só poderiam estar em um filme que pretende retratar situações sociais acontecidas por aqui: durante as situações, permeiam a religiosidade e, mais do que isso, a corrupção. Não somente na administração de bens alheios, mas a corrupção da moral dos personagens. Desde o início, eles deixam sua própria ética de lado pela busca da sobrevivência: a mãe (Fernanda Montenegro) agarrada a uma mala de dinheiro; a jovem aparentemente inocente (Camila Pitanga) que se torna prostituta; o jornalista que aceita se tornar um laranja. Todos por dinheiro.

    Além de ter um roteiro atual e bem peculiar, Redentor ainda conta com um elenco de peso. Somente os nomes de Fernanda Montenegro e Fernando Torres (pais do diretor) já seriam um atestado de qualidade, mas ainda tem mais. Apesar da presença de atores consagrados pelos papéis cômicos, como Pedro Cardoso e Miguel Falabella, Redentor está longe de ser uma comédia escrachada. Não bastando, Redentor ainda conta com muitos efeitos especiais - mais do que a média, em se tratando de cinema nacional.

    Redentor é grandioso, bem trabalhado, mas sem pretensões de mudar alguma coisa. Não há um discurso moralista no tratamento da corrupção e, no fim das contas, traz aquilo que a maioria dos espectadores espera ao ver um filme: diversão.