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    REINO ESCONDIDO

    Animação é movimentada, divertida, rica na ambientação e tem uso de 3D muito acima da média
    Por Roberto Guerra
    15/05/2013

    Superproduções animadas não são pensadas somente para o público infanto-juvenil hoje em dia. Há todo um trabalho minucioso por trás para entreter também os adultos, afinal, são eles que levarão as crianças ao cinema. Reino Escondido segue a estratégia, mas traz consigo um atrativo a mais para pais, tios e irmãos mais velhos: a possibilidade de se impressionar por pouco mais de hora e meia com a impressionante evolução técnica desta arte.

    O filme é impecável em cada detalhe. Chama a atenção logo de cara pelo excelente uso do 3D, um dos melhores trabalhos já feitos em animação. A técnica faz toda a diferença ao dar profundidade de campo no ambiente de floresta no qual boa parte do longa se passa. Como a cor predominante é o verde, a terceira dimensão torna-se imprescindível para que o cenário não fique chapado, fazendo com que o espectador de fato se sinta inserido no local.

    A equipe de produção da Blue Sky, comandada por Chris Wedge - que antes havia dirigido A Era do Gelo e Robôs -, nitidamente se preocupou com minúcias. Pormenores estéticos que, somados, ajudam a levar realidade à trama protagonizada pela jovem Maria Catarina ou M.C., como prefere ser chamada. Ela é uma adolescente que retorna a casa onde viveu na infância na tentativa de se reaproximar do pai, pesquisador que passou a vida tentando provar a existência de uma sociedade de minúsculos seres habitantes das matas.

    M.C. não leva os delírios do pai muito a sério até que, involuntariamente, é transportada para o universo em miniatura. E não chega em boa hora. Seres conhecidos como Homens-Folha, guardiões da vida na floresta, estão em guerra com os Boggans, que almejam destruí-la. Para voltar ao tamanho normal e convívio com o pai, M.C. terá de ajudar os heróis numa jornada cheia de aventuras para salvar o botão de uma flor que carrega os poderes mágicos destinados à nova rainha da floresta.

    O roteiro dá mancada dupla quando trata do vilão, líder dos Boggans. Ele não tem motivação aparente, quer acabar com a floresta e pronto. Outro pecado é mostrar a decomposição, arma dos Boggans, como mal à natureza, quando sabemos ser imprescindível a esta. Reino Escondido também não procura em nenhum momento fugir dos lugares-comuns habituais aos blockbusters de animação. A protagonista é voluntariosa e atrapalhada, o herói romântico é rebelde e relutante, o cientista é amalucado e disperso. E, claro, não faltam os alívios cômicos de praxe: aqui um simpático cachorro de três patas e a dupla formada por lesma e caramujo tagarelas.

    Deslizes, clichês e licenças que não tiram o prazer de assistir a essa animação movimentada, divertida e repleta de personagens interessantes, mesmo que alguns não sejam tão bem desenvolvidos como mereciam.