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    REIS E RATOS

    Mesmo a boa atuação de Santoro e a divertida participação de Seu Jorge não salvam o filme<br />
    Por Roberto Guerra
    13/02/2012

    Filmes que apostam em abordagens diferenciadas merecem atenção e são sempre bem-vindos. No entanto, ousar não é sinônimo de acertar. Reis e Ratos, uma narrativa bem-humorada e fantasiosa do período pré-golpe de 64, é prova disso. O diretor Mauro Lima (Meu Nome Não é Johnny) quis fazer diferente e apostou numa ideia inusitada. Infelizmente, por uma série de motivos que descreverei abaixo, não obteve êxito.

    Vamos ao enredo. O ano é 1963. A cantora Amélia Castanho (Rafaela Mandelli) vai fazer a abertura de uma festividade em Bacaxá, no interior do Rio de Janeiro. Antes de se apresentar, no entanto, o coreto explode, confirmando uma transmissão embaralhada que ouviu no rádio do automóvel na voz do locutor e médium Hervê Gianini (Cauã Raymond). A partir daí uma sucessão confusa de flashbacks apresenta os muitos envolvidos no atentado, entre eles o agente da CIA Troy Somerset (Selton Mello), seu parceiro de conluios Major Esdras (Otávio Müller), e Roni Rato (Rodrigo Santoro), um vigarista viciado em anfetaminas.

    O principal problema de Reis e Ratos é a forma como suas várias subtramas estão encadeadas. No caso, mal encadeadas. Os acontecimentos vão se sucedendo sem que o roteiro apresente uma ligação satisfatória entre eles. O mesmo pode-se dizer dos personagens, alguns até interessantes, mas que são arremessados sem muitas explicações no filme, chegando do nada e indo para lugar algum.

    Com um amontoado de pontas soltas e abusando do flashback, Reis e Ratos cansa e deixa o espectador desorientado. O filme também não decide se vai pelo caminho da comédia deliberada ou suspense. Nem mesmo o time de grandes atores que compõe o elenco salva o longa. Nomes conhecidos por brindar o público com boas performances ficam muito aquém da média com atuações pouco inspiradas ou prejudicadas pelos próprios defeitos de condução da trama.

    Selton Mello, por exemplo, até que se esforça. Dublador no início da carreira, usou seus dotes vocais para criar uma voz semelhante àquelas dublagens antigas de filmes policiais estrangeiros. É interessante e divertido até certo ponto, mas como Reis e Ratos não se assume como comédia, com o tempo o personagem Troy Somerset torna-se cansativo ao extremo, um defeito impensável para um protagonista. O mesmo acontece com o personagem de Cauã Reymond, que, de supostamente engraçado, vai se tornando um “mala” ao longo do filme. O único que se salva nesse balaio é Rodrigo Santoro. Ele surpreende e se distancia da imagem de galã na pele do repugnante Roni Rato. De longe o tipo mais interessante do longa.

    Filme, no entanto, é um trabalho coletivo. Mesmo a boa atuação de Santoro e a divertida participação de Seu Jorge não são suficientes para tirar Reis e Ratos do terreno das boas intenções malsucedidas.