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    REVELAÇÃO

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    O bom diretor Robert Zemeckis (de Forrest Gump) até que tentou realizar um filme com a mesma qualidade de O Sexto Sentido. Quase conseguiu. Mas, no finalzinho, emergiu das trevas todo o seu lado cinema-espetáculo (afinal, ele é cria de Steven Spielberg), pondo tudo a perder. Por isso, Revelação é quase um bom filme. Quase.

    A trama começa destilando charme e estilo, ao mostrar um dedicado cientista (Harrison Ford) e a sua bela esposa (Michelle Pfeiffer), dividindo com a filha Caitlin (Katharine Towne) nada menos que uma maravilhosa mansão à beira de um lago paradisíaco. Logo nas primeiras cenas, a garota vai estudar fora da cidade, deixando os pais sozinhos na imensa casa.
    Lenta, gradativamente, e com um perfeito domínio de câmera, Zemeckis aos poucos vai mostrando à platéia que toda aquela beleza cinematográfica na verdade esconde segredos e mistérios inconfessáveis. Entre eles, um estranho casal de vizinhos, aparições fantasmagóricas e um passado perturbado, tanto na vida dele como na vida dela. Mais não deve ser dito, para não estragar as surpresas do roteiro.

    É inegável e indisfarçável que Zemeckis bebe na fonte de Alfred Hitchock para criar o clima de suspense de seu filme. Além de referências explícitas a Janela Indiscreta e Psicose, Revelação ainda exibe uma trilha sonora claramente inspirada em Bernard Herrmann, habitual colaborador do Mestre do Suspense. E tem mais: se Norman Bates (o psicopata de Psicose) tinha problemas com a mãe, Norman Spencer (o personagem de Harrison Ford) tem sérios problemas com o pai. Impossível ser apenas coincidência.

    Enquanto Zemeckis referencia - e reverencia – Hitchcock, tudo vai bem. O filme é sutil, envolvente, elegante. Utiliza a tela inteira do cinema (o que deve prejudicar sua versão em vídeo), deixa o espectador agarrado à poltrona e ainda proporciona uns pares de bons sustos.
    Porém, os minutos finais parecem ter sido dirigidos por outra pessoa. Num rápido instante, o eficiente e assustador clima de suspense dá lugar para o corre-corre ingênuo típico de qualquer terror classe B. Os clichês pipocam em profusão, a credibilidade do roteiro despenca e todas as boas intenções hitchcockianas vão por água abaixo. Pena. Não fossem por estas concessões comerciais, Revelação poderia estar num nível próximo ao do excelente O Sexto Sentido. Desta vez, Zemeckis ficou devendo.

    Curiosidade final: o título original de Revelação é What Lies Beneath (O Que Há Por Baixo). Porém, o próprio Zemeckis está produzindo um novo filme que vai se chamar, em inglês, Revelation. E agora? Como ele será traduzido por aqui? Respostas só em 2001.

    28 de agosto de 2000
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, e do Canal 21.