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    RIO, EU TE AMO

    Na média filme é agradável, apesar de oscilar bastante
    Por Roberto Guerra
    10/09/2014

    Em 1969, Gilberto Gil afirmava em sua canção que o Rio de Janeiro continuava lindo. Passados 35 anos, nada mudou. A cidade, cuja alcunha de maravilhosa não é à toa, mantém-se encantadora. Não por acaso foi escolhida como cenário do terceiro filme da série Cities of Love, que já se debruçou sobre Nova York e Paris.

    Rio, Eu te Amo apostou num diferencial entre os outros filmes da franquia. Pela primeira vez buscou-se uma ligação entre os seguimentos dirigidos de forma independente por diversos diretores. O responsável por tentar criar unidade entre as tramas foi o cineasta Vicente Amorim (Corações Sujos), que fez o que pôde, mas não conseguiu amalgamar as histórias curtas a ponto de assimilarmos o conjunto como um filme só.

    Cada um dos cineastas envolvidos no projeto teve total liberdade para desenvolver seus dramas, com a condição de que tivessem a cidade do Rio como pano de fundo e que os enredos tratassem do amor em suas diferentes formas. Mas nem mesmo o time estelar de realizadores e atores salvou o filme de ser apenas mediano. E isso se deve muito às oscilações entre as tramas e a tentativa de uni-las.

    Aos menos houve esforço criativo dos diretores, que procuraram fugir do evidente. Os belos cartões postais da cidade estão lá, claro, mas como cenários de tramas – algumas delas – pouco óbvias. Carlos Saldanha (de Rio e Rio 2), por exemplo, optou por contar a história de amor entre dois bailarinos do Theatro Municipal. O sul-coreano Im Sang-Soo (A Empregada) leva um vampiro, interpretado por Tonico Pereira, para as vielas de uma favela comandando um número musical.

    Há também o polêmico seguimento dirigido por José Padilha (de Tropa de Elite), que quase ficou de fora da história quando a Arquidiocese do Rio – que detém o direito de imagens sobre o monumento – o censurou e depois voltou atrás. Como era de se esperar, muito barulho por nada. No trecho, o personagem interpretado por Wagner Moura resolve fazer um passeio de asa delta no entorno do Cristo para tirar satisfações. Fala uns palavrões, dá uma banana para estátua e não vai além disso.

    Há ainda sequências dirigidas por Fernando Meirelles (Cidade de Deus), cujo personagem principal é um escultor de monumentos de areia interpretado por Vicent Cassel; Nadine Labaki (de E Agora, Aonde Vamos?), sobre um menino que rua que aguarda um telefonema de Jesus; John Turturro (Amante a Domicílio), que também atual em seu seguimento ao lado de Vanessa Paradis – os dois vivem um conflito amoroso na tela; e Andrucha Waddington (Os Penetras), que traz Fernanda Montenegro interpretando uma moradora de rua que decidiu viver sem teto deliberadamente. Guillermo Arriaga, Stephan Elliott e Paolo Sorrentino completam o time de cineastas.

    Nesta mescla de grandes nomes e ideias distintas que é Rio, Eu te Amo, alguns seguimentos se sobressaem e outros decepcionam. Há momentos iluminados aqui e ali e algumas passagens decepcionantes. A tentativa de promover unidade dramática nessa miscelânea irregular, naturalmente, não ia dar muito certo.

    Mas os bons momentos de Rio, Eu te Amo, mesmo que pontuais, valem a ida ao cinema. Com o adendo de se poder atestar, nas belas imagens captadas, que o Rio de Janeiro continua lindo.