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    RISCO IMEDIATO

    Promissor, filme desperdiça oportunidades e não empolga
    Por Edu Fernandes
    07/04/2015

    Quando um filme usa a estrutura de um gênero cinematográfico para entreter enquanto se discute questões mais profundas, ganha pontos extras. Risco Imediato obtém tal façanha ao explorar a fórmula do cinema policial para apresentar debates éticos.

    Depois de herdar uma residência antiga na Inglaterra, Tom (James Franco, de A Entrevista) e Anna (Kate Hudson, de O Noivo Da Minha Melhor Amiga) deixaram para trás os Estados Unidos para tentar a sorte no Velho Mundo. Entretanto, a estadia não está sendo fácil e o casal se equilibra na corda bamba para manter as finanças domésticas. A reforma da casa herdada parece não ter fim e poucos trabalhos de construção surgem para Tom. O martírio se completa com as sucessivas falhas na tentativa de engravidar.

    O casal sublocou o porão na casa alugada onde moram para ter alguma verba extra. Essa decisão mudará a vida dos protagonistas, pois o inquilino (Francis Magee, de Martelo dos Deuses) é um criminoso que traiu seus comparsas para ficar com uma grande soma de dinheiro. Em um acerto de contas, o ladrão é assassinado.

    O que parecia ser apenas mais uma chateação para aumentar a desesperança de Tom e Anna se revela como uma saída inusitada para os débitos. Os protagonistas encontram o dinheiro escondido e se veem diante de um dilema: entregar o achado para a polícia, ou usar a grana para ter um reinício livre de dívidas.

    As discussões éticas levantadas por Risco Imediato vão mais longe, quando consideramos a figura do detetive Halden (Tom Wilkinson, de Selma). Ele quer descobrir o paradeiro do dinheiro e dos parceiros do crime, porque a gangue é responsável pela morte de sua filha. Apesar do envolvimento pessoal, Halden ignora a ordem dos superiores para se afastar das investigações.

    Portanto, todo o terreno é preparado no terço inicial do filme para que o espectador fique intrigado pelo desfecho ao mesmo tempo em que faz as reflexões éticas às quais estão submetidos os personagens. Infelizmente, é nesse ponto que o roteiro se empolga demais e perde o prumo.

    Para a história seguir adiante, Risco Imediato se vale de decisões imbecis de seus personagens, especialmente Anna. Além de pagar as dívidas, ela usa o dinheiro do roubo para presentear uma amiga e pagar um tratamento de fertilidade, sem considerar que seus gastos chamariam a atenção. Mais adiante, Halden também terá a chance de tomar atitudes infelizes. Se por um lado o filme ganha dinâmica, arrisca a simpatia do público.

    No terço final, o exagero fica por conta dos vilões. O chefão do crime Khan (Omar Sy, de X-Men: Dias De Um Futuro Esquecido) fará de tudo para não ser passado para trás por amadores, mas chega ao ponto de não ter mias motivações pessoais claras, a não ser manter sua fama de mau.

    Dessa forma, Risco Imediato consegue desperdiçar toda a construção dramática interessante de seu começo por não dedicar cuidado suficiente em manter o tom. Se, em seu total, o filme optasse apenas pela eloquência do início ou pela pirotecnia do final, o resultado seria mais coerente.