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    ROBIN HOOD (2010)

    Ridley Scott não justifica mais uma adaptação da clássica história<br />
    Por Celso Sabadin
    26/05/2010

    O que justificaria, nos dias de hoje, mais uma versão cinematográfica de Robin Hood? Afinal, o mitológico herói inglês do século 13 já apareceu nas telonas e nas telinhas em mais ou menos uma centena de filmes, tendo sido encarnado por atores como Errol Flynn, Sean Connery, Kevin Costner e... Mário Cardoso (tinha esquecido de Robin Hood, O Trapalhão da Floresta).

    Para os produtores de Hollywood, esta versão 2010 foi motivada por uma nova proposta, um novo roteiro escrito por Ethan Reiff e Cyrus Voris (criadores também do argumento da animação Kung Fu Panda) onde seria contada a origem do herói, como tudo começou. Uma espécie de “Robin Hood Begins”. Com a entrada do diretor Ridley Scott no projeto, o roteirista Brain Helgeland (do recente Zona Verde) reescreveu parte do material original, e o resultado chega agora aos cinemas.

    Tudo começa na véspera da morte do rei inglês Ricardo Coração de Leão (Danny Huston, o Poseidon de Fúria de Titãs), a quem o arqueiro Robin (Russel Crowe) era fiel. Sem o líder, Robin e um pequeno grupo de amigos abandonam o exército inglês, já bastante abatido pela longa e pouco proveitosa Cruzada empreendida pelo então Rei Ricardo. O reino está acéfalo e combalido.

    Um golpe do destino, porém, faz com que Robin e seus companheiros cruzem seus caminhos com Godfrey (Mark Strong, o vilão de Sherlock Holmes), que se faz passar por conselheiro do novo Rei João (Oscar Isaac), mas que na verdade é um traidor disposto a entregar a Inglaterra à inimiga França. Movido tanto por valores como honra e lealdade, como por meros acasos do destino, Robin acaba se envolvendo até o pescoço no delicado momento social e político que marca a transição do reinado para as mãos do mimado, egoísta e despreparado Rei João.

    Tudo bastante grandioso, bem produzido, bem fotografado, com boas cenas da batalhas... mas que não funciona enquanto filme. Apesar das proporções épicas, da volta da dupla Crowe/Scott (sucesso em Gladiador), das belas locações na Inglaterra e no País e da Gales, e até da sempre ótima Cate Blanchett, este novo Robin Hood é um tédio.

    O roteiro erra ao abrir várias linhas narrativas simultâneas e não apresentar uma dramaturgia consistente o suficiente para sustentar nenhuma delas. A forma aleatória como os fatos se desenrolam chega a ser primária, como o retorno do herói ao lugar de sua infância, ou a repentina resolução de seus flashbacks.

    Já a direção se perde numa profusão de personagens e situações nem sempre apresentadas ou desenvolvidas de maneira clara. O resultado é um defeito letal para qualquer tipo de filme, principalmente os que se pretendem heroicos: a falta de empatia com o heroi. Numa atuação sem nuances, Crowe não apresenta nem a picardia, nem a elegância, nem o romantismo, nem a alegria, muito menos o carisma de um personagem que – supõe-se – dedicará sua vida a tirar dos ricos para dar aos pobres. De todo o elenco monocórdio, salva-se apenas o frescor do veterano Max Von Sydow.

    Some-se a isso tudo a trilha sonora de pouca ou nenhuma criatividade, assinada pelo alemão Marc Streitenfeld (Rede de Mentiras), que, além de onipresente e insistente, ainda se mostra inadequada e conflitante com as cenas que tenta sublinhar. Certamente os franceses – aqui retratados como covardes vilões – vão detestar ver Robin Hood na abertura de seu querido Festival de Cannes, ainda esta semana...