Pôster nacional de Robocop

ROBOCOP

(RoboCop)

2014 , 117 MIN.

14 anos

Gênero: Ação

Estréia: 21/02/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • José Padilha

    Equipe técnica

    Roteiro: Edward Neumeier, Joshua Zetumer, Michael Miner

    Produção: Eric Newman, Marc Abraham

    Fotografia: Lula Carvalho

    Trilha Sonora: Pedro Bromfman

    Estúdio: Columbia Pictures, Dynamic Effects Canada, Metro-Goldwyn-Mayer (MGM), Strike Entertainment

    Montador: Daniel Rezende, Peter McNulty

    Distribuidora: Columbia Tristar Buena Vista Films of Brasil Ltda., Sony Pictures

    Elenco

    Abbie Cornish, Aimee Garcia, Douglas Urbanski, Gary Oldman, Jackie Earle Haley, Jay Baruchel, Jennifer Ehle, Joel Kinnaman, John Paul Ruttan, Marianne Jean-Baptiste, Melanie Scrofano, Michael K. Williams, Michael Keaton, Miguel Ferrer, Samuel L. Jackson, Tommy Chang, Zach Grenier

  • Crítica

    21/02/2014 20h00

    Por Daniel Reininger

    Em 1987, Paul Verhoeven impressionou o mundo com Robocop - O Policial Do Futuro, sátira social repleta de violência e efeitos especiais de ponta, cujo principal objetivo era entreter. Vinte e sete anos depois, o brasileiro José Padilha (Tropa De Elite) dirige o remake com tom muito mais sério e político, disfarçando a crítica ao sistema sob ótimas cenas de ação, mas sem trazer de volta a diversão característica da franquia.

    Em 2028, os Estados Unidos reforçam sua posição como polícia do mundo com o uso de robôs de combate em países estrangeiros. Claro que o senado norte-americano não acha que seus cidadãos devam se sujeitar ao controle de drones, por isso as máquinas são proibidas. Essa decisão é péssima para a corporação Omnicorp. Com previsão de bilhões em lucros e apoiado por programas de TV de extrema direita, Raymond Sellars (Michael Keaton), CEO da companhia, decide fazer a jogada de marketing perfeita – colocar um policial numa máquina para mudar a opinião pública.

    O remake aborda melhor as questões morais de se transformar um homem em robô. São longos minutos de reflexão sobre a situação de Alex Murphy (Joel Kinnaman), nos quais ele tenta se ajustar à nova realidade e, diante da triste verdade de sua condição, pede para morrer. Tratado como produto pela corporação e com a data de lançamento se aproximando, Sellars exige que Dr. Dennett Norton (Gary Oldman), responsável pelo projeto, conserte os problemas. Assim, aos poucos, a humanidade do detetive é suprimida transformando-o em um ser autômato.

    Diferente do original, a família do policial tem grande destaque na trama, afinal, a Omnicorp e o próprio Robocop precisam lidar com eles. Conforme é distanciada de Murphy, Clara, esposa do ciborgue, se volta contra a corporação. O problema é que a atriz Abbie Cornish é limitada para um papel tão emotivo. Ela faz um trabalho apenas razoável e não acrescenta nada às cenas nas quais participa.

    Ao menos, o resto do elenco garante boas atuações. Keaton claramente se inspira em Steve Jobs para dar profundidade ao CEO da Omnicorp. Samuel L. Jackson rouba a cena como apresentador de TV sensacionalista, versão gringa de Fortunato, de Tropa De Elite 2. Kinneman tem cenas bastante emotivas mesmo sem conseguir mexer nada além do rosto. Entretanto, o personagem de Gary Oldman é o mais interessante do remake, sempre em luta entre a moralidade de seus atos e a pressão da corporação.

    Essas questões atualizam muito bem a história para o século XXI. Além disso, de Robocop se espera grandes cenas de ação, com o protagonista atirando em todo e qualquer suspeito. E isso Padilha faz muito bem. Óbvio que a violência nos anos 80 permitia exageros que hoje são limitados pelo politicamente correto, então o policial do futuro usa arma de choque e não balas de verdade na maioria dos casos. Mesmo assim, o espírito de chutar a porta e entrar atirando foi mantido, embora o tom de sátira tenha sido substituído pelo drama.

    O que incomoda é o aspecto clean de Detroit. A decadência desapareceu e, embora a cidade esteja falida na vida real, no longa parece um ótimo lugar para se viver. O discurso de que o local é o mais violento da América não faz sentido, afinal tudo que vemos são alguns crimes organizados pela mesma quadrilha e um pouco de corrupção policial. Com isso, a questão da necessidade de drones patrulhando as ruas das cidades norte-americanas perde impacto e a premissa básica se mostra rasa.

    Mesmo com esse problema de ambientação, a produção mantém o interesse do público com o bom uso da tecnologia. Exemplo disso é a forma como o ciborgue utiliza feeds de câmeras espalhadas pelas ruas para encontrar suspeitos - sistema inspirado pela série de TV Person of Interest. Isso funciona muito bem na tela e explica como o policial encontra rapidamente seus alvos – no original, ele simplesmente aparecia no lugar do crime sem mais explicações.

    Robocop é muito melhor e mais inteligente do que se esperava: Padilha consegue imprimir sua marca na direção e cria narrativa empolgante sem deixar de lado seu discurso moral e político. Porém, isso não muda o fato de que não era necessário refazer o clássico de Verhoeven. O brasileiro faz boa estreia em Hollywood e deve agradar aos espectadores, mas seu longa não impressiona o bastante para marcar uma geração.



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