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    ROCK OF AGES: O FILME

    Filme oferece clássicas do rock para ganhar espectador, mas tem trama sem sal e de poucos bons momentos<br />
    Por Daniel Reininger
    23/08/2012

    Nostalgia é a palavra que melhor define Rock of Ages, filme que procura recriar o cenário rock’n’roll de Los Angeles dos anos 80. Baseada num show da Broadway, a produção traz uma trilha sonora inspirada, com Joan Jett, Bon Jovi, Twisted Sister, entre outros. Entretanto, o longa é preguiçoso, incapaz de fazer jus ao lema Sexo, Drogas e Rock’n’Roll e muito menos de entregar uma narrativa de qualidade.

    A trama conta a história de uma garota do interior (Julianne Hough) que vai para Los Angeles em busca do sonho de se tornar uma cantora. Tudo parece lindo e maravilhoso, até que a menina chega em frente ao famoso bar The Bourbon Room e tem seus discos roubados. Isso a coloca no caminho de Drew Boley (Diego Boneta), que a ajuda a arrumar emprego no local e a joga num mundo decadente e sensual.

    A partir daí, começa uma sequência de trapalhadas e situações constrangedoras ao som de boas músicas. A comparação com a série de TV Glee é inevitável, ambos têm personagens losers e arranjos musicais que hora caem muito bem, hora desagradam ou ficam menos rock’n’roll do que deveriam. Por mais estranho que isso possa soar, o filme lembra ainda produções como Mamma Mia! e Showgirls. Seja como for, tenha em mente que quanto mais você gostar de rock, menos vai apreciar o filme – diferente do que acontece em Isto é Spinal Tap, por exemplo.

    A tática do longa-metragem é a mesma do espetáculo da Broadway: oferecer músicas clássicas para ganhar logo de cara os espectadores que, com sorte, vão acabar não reparando no enredo sem sal, na fotografia batida e na edição descuidada. A presença de grandes nomes no elenco, como Alec Baldwin, Catherine Zeta-Jones, Russell Brand, Paul Giamatti e Tom Cruise ajuda a conquistar o público, mas em geral as atuações são caricatas e nada convincentes.

    A principal atração, sem dúvida, é a presença de Cruise em outro papel bizarro a la Trovão Tropical: Stacee Jaxx, um astro do rock inspirado em Axl Rose. Só que o rockstar está fora de controle e parece não se importar com nada além de bebidas e mulheres. Para piorar, ele nunca se separa de uma garrafa de uísque e do macaco de estimação que ele chama de Hey Man – que garante algumas das piadas mais sem graça de Rock of Ages.

    O interessante e problemático Stacee Jaxx é um cara extremamente sensual, ou deveria ser, pois o diretor Adam Shankman (Hairspray - Em Busca da Fama) parece não ter decidido se queria algo cômico ou erótico. Pelo menos as tentativas de Cruise são engraçadas. Por sinal, o filme insiste em apelar para a sensualidade dos personagens a todo o momento (o que até faz sentido com a temática). O resultado, no entanto, é sempre patético. O que deveria ser sensual é, na verdade, ridículo – nem as cenas de strip-tease se salvam.

    Mesmo com todos seus problemas, afirmar que Rock of Ages não diverte nem um pouco seria mentira, pois há momentos bons aqui e ali ao longo de suas duas horas. Sem dúvida é a sequência final que (quase) salva o dia, em especial a cena ao som de We’re Not Gonna Take It, da banda Twisted Sister. Isso não significa que você deve ir ao cinema com grandes expectativas. Principalmente porque o filme faz questão de nos lembrar a todo o momento que, para todos os efeitos, estamos pagando, sem direito a cerveja, para ver celebridades brincarem de karaokê.