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    ROCKETMAN

    Por Sara Cerqueira
    18/06/2019

    Diante da última experiência que tivemos com uma cinebiografia de uma figura mundialmente conhecida - Bohemian Rhapsody -, confesso que fiquei um pouco apreensiva com a chegada de Rocketman. Mesmo sendo uma grande fã das músicas de Elton John, as expectativas estavam razoavelmente baixas para assistir o longa baseado em sua carreira e vida pessoal. Veremos mais um filme suavizado e palatável para a família tradicional, onde apenas empresários e profissionais da indústria fonográfica são vilanizados?

    Quando soube que seria uma cinebiografia musical, tive ainda mais ressalvas (assumo que meu pouco apreço por esse gênero me influenciou a ter esse pré-conceito). Entretanto, nada como a experiência de assistir ao filme de fato e ter sua antipatia desconstruída na base do soco. Dirigido por Dexter Fletcher, o longa é uma experiência completa aos sentidos, oferecendo nada menos o que a vida e carreira de Elton John realmente merecem.

    Aqui, somos apresentados a um artista prodígio ainda em sua primeira infância. O cantor é interpretado no filme por Taron Egerton que, apesar da aparência pouco similar a do cantor, oferece uma aptidão musical e interpretativa de cair o queixo. O filme caminha pelas raízes familiares do artista em Londres na década de 50/60, nos apresentando a um círculo familiar extremamente tóxico.

    Sua mãe, interpretada pela sempre incrível Bryce Dallas Howard, uma mulher pouco apegada ao filho e a própria maternidade, segue os conselhos da avó da criança e o coloca em um conservatório musical. O pai Stanley (Steve Mackintosh), mostra um claro desprezo e até mesmo ódio ao próprio filho, incorporando uma figura vilanesca rapidamente odiável. Tendo apenas o suporte da avó (Gemma Jones), o garoto passa a ganhar notoriedade pela voz e talento ao tocar piano.

    De um guri tímido e inseguro de classe média baixa chamado Reginald Dwight ao excêntrico, multitalentoso e multimilionário Elton John, grande figura do rock mundial. O filme adota a trajetória de ascensão já tão conhecida em cinebiografias para mostrar uma jornada de autodescoberta no mundo da música. Sua amizade com o compositor Bernie Taupin (Jamie Bell) o mantém trabalhando de uma maneira saudável e produtiva, ao menos por um período de tempo. Depois, assistimos à uma queda gradual, já esperado também em filmes sobre grandes figuras do entretenimento musical, que transpassa por tentativas de suicídio, abuso de álcool, drogas e total desapego das raízes
    familiares.

    É importante ressaltar aqui que, apesar de recair em alguns estereótipos, com a figura do agente malvadão, interpretado mecanicamente por Richard Madden, o longa não apela para a demonização da indústria musical, mas a põe como um fator a mais - de grande peso, diga-se de passagem - para a queda de Elton. Sua história pessoal, suas dúvidas com relação à própria identidade, uma família pouco amorosa, a falta de afeto quando criança e outras questões contribuíram em conjunto para seus sucessivos baques. E a indústria da musica, essa máquina de moer gente, só piorou as coisas.

    O trabalho do cast é eficiente e bem sintonizado, mas quem rouba a cena é Egerton. Em sua maior performance até agora, o ator é um catalisador de sentimentos e múltiplos talentos, e nos entrega um Elton John extravagante e desconcertante, mas sedento por reconhecimento, amor e carinho.

    Com uma trilha-sonora magnífica, figurinos estonteantes e coreografias simples e funcionais, Rocketman é, além de uma incrível experiência cinematográfica, um tributo à vida e obra de um homem excepcional. Não poderia ter sido feito de outra forma. Ainda bem!