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    ROMANCE DE FORMAÇÃO

    Documentário é eficiente em ambientar a audiência dentro da realidade diária de cada personagem.
    Por Roberto Guerra
    09/05/2012

    Prazeroso e gratificante ver um filme como Romance de Formação. Os motivos são variados: escolha do tema abordado, personagens interessantes retratados e um capricho técnico que impressiona, principalmente por ser uma produção sem nenhuma grande produtora brasileira por trás nem nomes reconhecidos no comando da obra.

    Bem executado, o longa ganha um brilho especial não só por mostrar quatro talentosos jovens brasileiros diante das câmeras, mas também atrás delas. O trabalho acima da média foi conduzido pela diretora Julia De Simone com a parceria dos diretores-assistentes e roteiristas Aline Portugal e Marcelo Grabowsky. O resultado: um filme sobre jovens competentes feito por outros não menos.

    Romance de Formação se envereda pelo dia-a-dia de quatro brasileiros em grandes centros de ensino superior. Em busca de uma excelência profissional distante da realidade da maioria dos compatriotas, estes estudantes destacam-se em instituições como as Universidades de Harvard e Stanford, a escola de música de Karlshure, na Alemanha, e o IME (Instituto Militar de Engenharia), no Brasil.

    Naturalmente, nem tudo é só entusiasmo e alegria na vida desses jovens. O futuro promissor cobra um preço e o anseio por uma vida profissional de grandes realizações se revela gratificante nas conquistas, mas dura nas perdas e desilusões.

    O filme consegue abarcar essa dicotomia muito bem. Primeiro, sendo eficiente em ambientar a audiência dentro da realidade diária de cada personagem. A câmera, sempre muito bem posicionada, é condutora da narrativa e não somente um aparato técnico para captar imagens. Distancia-se quando preciso, se aproxima quando necessário, interage quando a intimidade é essencial.

    Mesmo ao usar imagens de celular e webcam feita por um dos personagens, o que poderia destoar da captação profissional de enquadramentos rigorosos, o filme evita o estranhamento graças a uma montagem precisa e relevância do material incluído.

    Enxuto, o documentário de 74 minutos equilibra com habilidade as histórias de superação do pianista prodígio na Alemanha, da estudante de literatura em Stanford, do jovem no curso de Direito Internacional em Harvard e do mineiro de família simples estudando no IME. Num país que tem se contentado com o regular, é gratificante ver jovens que buscam o ótimo, sejam eles os personagens do filme ou aqueles que o fizeram.