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    118 DIAS

    Um retrato ingênuo do conflito entre o Irã e o ocidente
    Por Gustavo Assumpção
    05/03/2015

    118 Dias é baseado na história real do jornalista Maziar Bahari. Em 2009, ele viajou ao Irã para cobrir as eleições como correspondende da revista Newsweek e acabou 118 dias preso e torturado por um homem que cheirava a leite de rosas. É essa a história que Jon Stewart conta em seu primeiro filme, adaptação do best-seller Then They Came for Me.

    Rosewater é exatamente o que se espera de Stewart: politicamente engajado, quase um panfleto que clama por uma imprensa independente e por uma democracia realmente livre. Mas, basta alguns minutos para perceber que a falta de experiência do diretor atrapalha sua adaptação, que parece a todo momento ingênua e indecisa.

    Stewart mostra Behari repetidamente com os olhos vendados nas sequências de tortura física e psicológica que sofreu. Sua prisão está diretamente ligada à onda de protestos que varreu o Irã após a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad em 2009. Acusado de fraude, o presidente reprimiu violentamente uma série de manifestações populares que começaram em Teerã e se espalharam por todo o país. O filme mostra a criação de um organismo para defender o governo do que acreditavam ser uma "ameaça ocidental", reflexo de anos de embate político entre o país e os Estados Unidos.

    O filme constrói uma oposição entre Bahari e seu torturador. Enquando tenta arrancar uma confissão por escrito do jornalista, tal homem se mostra surpreendentemente vulnerável. Aquele que o visita todos os dias não passa de um burocrata intimidado, ansioso para impressionar seu chefe e agradar sua esposa. 

    Mas o filme aposta na superfície desses retrato. A direção tenta conter as emoções, mas só consegue criar apatia entre o espectador e seu personagem principal e eliminar uma necessária complexidade. Gael García Bernal até tenta, mas não é capaz de livrar esta adaptação de uma certa banalidade. 118 Dias parece ter pouco a dizer.

    Embora confronte Bahari com seu passado, em uma metáfora do próprio Irã e sua sequência de regimes autoritários, o filme é também otimista e mostra o início da construção de um novo momento. Para Stewart há um ponto de ruptura: as redes sociais, os protestos virtuais e a fácil proliferação de informações com a ajuda da internet são elementos decisivos na construção de um Irã mais democrático.

    Mesmo sem uma imprensa livre e independente, o país entra em ebulição porque quem agora constrói a narrativa são os próprios indivíduos ao compartilharem suas experiências. A arma mais letal é, a partir de agora, a câmera do celular.