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    RUA CLOVERFIELD, 10

    Diretor Dan Trachtenberg faz estreia de respeito
    Por Daniel Reininger
    06/04/2016

    Rua Cloverfield, 10 lembra pouco seu antecessor, Cloverfield - Monstro, mas ambientar a tensa história desse thriller no mesmo universo do filme que mostra a Terra atacada por seres alienígenas foi uma boa sacada. Afinal, a grande questão é: Pior lá fora ou aqui dentro? E não existe resposta definitiva para o drama da protagonista Michelle (Mary Elizabeth Winstead).

    Falar muito da trama seria entregar demais as surpresas do filme. Por isso, basta saber que durante o ataque do monstro gigante a Nova York, mostrado no primeiro filme, Michelle está na estrada, sem saber do desastre, quando sofre um acidente. Ela acorda num quarto embaixo da terra e precisa lidar com a situação da melhor forma possível para se manter viva.

    A tensão é constante e a narrativa consegue surpreender, méritos do roteiro simples, mas muito bem amarrado. O foco é mostrar o drama dos personagens, especialmente a relação dos três sobreviventes presos no abrigo subterrâneo. Quando a situação dentro do bunker parece ter atingido o limite, somos lembrados, de forma eficiente, que lá fora a coisa não está nada melhor. Assim, cada decisão dos personagens faz sentido conforme a trama avança.

    É muito interessante como o diretor Dan Trachtenberg brinca com o senso de segurança de Michelle e do espectador, sempre oferecendo uma falsa sensação de que tudo está bem antes do próximo momento de terror. Por sinal, essas situações são muito bem construídas e tiram completamente a tranquilidade do espectador.

    Essa constante desorientação é tão eficaz que, mesmo quando Michelle parece receber confirmação do desastre lá fora, o dono do bunker, Howard, ainda nos deixa inquietos. Mérito da atuação espetacular de John Goodman (O Grande Lebowski), que entrega uma de suas melhores performances da carreira, alternando momentos carinhosos e divertidos com explosões de violência muito bem justificadas.

    Goodman está muito bem acompanhado por Winstead e John Gallagher Jr. O rapaz acrescenta um importante lado humano para a relação do trio de protagonistas e Winstead comanda bem a obra, com ótima atuação e atitudes sarcásticas e inteligentes de sua personagem, algo bem diferente dos mal construídos personagens do Cloverfield original.

    Surpreendente, Rua Cloverfield, 10 é um grande filme e uma estreia de respeito para o diretor Dan Trachtenberg. A história é simples, mas a tensão, o ótimo uso do espaço claustrofóbico do bunker e ótimas atuações garantem tensão, diversão e incômodo ao espectador. Além disso, o longa é uma interessante análise da natureza humana, tanto de seu lado mais sombrio quanto de suas melhores qualidades.